Título: As 50 maiores empresas recebem quase 30% do PSI
Autor: Bittencourt, Angela
Fonte: Valor Econômico, 08/09/2010, Brasil, p. A4

Programas emergenciais lançados pelo BNDES no ano passado confirmam a ação do banco na crise e o processo de pulverização de recursos. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) contratou, até 10 de agosto, quase R$ 80,7 bilhões, destinando cerca de 30% aos 50 maiores grupos econômicos e o restante aos demais grupos e empresas. No primeiro semestre deste ano, com a normalização dos mercados, ganharam relevância as subscrições de debêntures, que atenderam a um número menor de empresas, mas em volume significativo.

Os financiamentos de capital de giro pelo BNDES avançaram no contexto da crise internacional no fim de 2008, a partir do lançamento de um programa de apoio ao fortalecimento da capacidade de geração de emprego de empresas dos setores da indústria, comércio e serviços com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões. O programa, com dotação orçamentária de R$ 6 bilhões, visava suprir a escassez de crédito no mercado.

Considerando o escopo de atuação do banco de fomento, médias e grandes empresas eram foco desse financiamento emergencial de capital de giro, uma vez que o BNDES classifica como médias e grandes empresas as que têm receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 90 milhões e inferior ou igual a R$ 300 milhões. Essa modalidade de financiamento, acionada por empresas até o primeiro semestre deste ano era contratada por 24 meses, incluindo 12 meses de carência. Mas algumas empresas vão quitando operações de giro, o que também indica melhora das condições dos mercados financeiros. A Votorantim, por exemplo, que tomou R$ 400 milhões de capital de giro no BNDES no ano passado já liquidou a fatura em dezembro.

Em meados de 2009, no âmbito de outras medidas anunciadas pelo governo preparando o país para a saída do contexto da crise financeira, o BNDES lançou o Programa de Sustentação do Investimento, voltado para a compra de bens de capital. O PSI foi anunciado em 29 de junho de 2009 e entrou efetivamente em vigor em 15 de julho de 2009. Inicialmente, o programa teria vigência até dezembro de 2009, mas foi prorrogado até dezembro de 2010.

O PSI já sofreu um reajuste de taxa de juro. Há cerca de dois meses, o juro desse programa emergencial subiu de 4,5% para 5,5% e de 7% para 8% ao ano, no caso de caminhões financiados pela Finame.

Desde o lançamento até o início de agosto deste ano, o PSI desembolsou R$ 54,6 bilhões, sendo R$ 19,1 bilhões de julho a dezembro de 2009 e R$ 35,5 bilhões de janeiro ao início de agosto de 2010. Nesse período, as operações contratadas pelo programa somaram R$ 80,7 bilhões. Do total, R$ 22,5 bilhões para os 50 maiores grupos econômicos e empresas e R$ 58,2 bilhões para outros grupos e empresas.

A participação dos maiores grupos no PSI, para aquisição de máquinas e equipamentos, é a seguinte: Petrobras, R$ 1 bilhão; ArcelorMittal, R$ 858 milhões; Carso-Telmex/AmericaMov, R$ 856 milhões; MRS Logística, R$ 845 milhões; Oi, R$ 835 milhões; Impsa, R$ 778 milhões; Weg, R$ 668 milhões; ThyssenKrupp, R$ 584 milhões; Gerdau R$ 575 milhões; Embraer, R$ 550 milhões, segundo informações do próprio banco. (AB)