Título: Justiça pode atrasar resultado no DF
Autor: Otoni , Luciana
Fonte: Valor Econômico, 01/10/2010, Política, p. A14
A campanha ao governo do Distrito Federal chega ao fim permeada de incertezas que refletem a desordem da política local que, há meses, patina em denúncias e instabilidade. A indefinição sobre a validade da candidatura da mulher do ex-governador Joaquim Roriz, Weslian Roriz (PSC), pode culminar no impedimento de o TRE do DF proclamar o resultado da eleição no domingo.
O julgamento das condições de elegibilidade de Weslian, que entrou na disputa há oito dias, ocorrerá amanhã, às vésperas do pleito. O Ministério Público Eleitoral (MPE) encaminhou parecer ao TRE-DF em que pede que o registro da candidatura de Weslian não seja liberado. O MPE entende que ela representa uma candidatura de fachada, destinada a manter o ex-governador próximo ao centro de poder do DF. Caso o registro seja negado, ela recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É nessa situação, em que qualquer hipótese resulta em processo na Justiça, que a mulher de Joaquim Roriz poderá ser autorizada a disputar a eleição.
Se essas condições se confirmarem, tanto a proclamação do resultado das eleições de domingo, quanto a realização de um segundo turno na capital federal, se tornam incertos. Isso porque enquanto o eventual recurso apresentado por Weslian estiver em tramitação no TSE, o tribunal terá que reservar os votos recebidos por ela.
Em meio a essa situação, que pode manter o DF em uma zona cinzenta de governabilidade, o líder nas pesquisas de intenção de voto, o petista Agnelo Queiroz, que também não escapou à onda de denúncias de prática de irregularidades por políticos do Distrito Federal e ainda está coligado ao PMDB que era aliado de Roriz, apela para o eleitorado definir a eleição no primeiro turno.
Os dois candidatos posicionados em terceiro e quarto lugares, Eduardo Brandão. do PV, e Toninho do P-SOL, que tiveram melhor desempenho em debates, tentam convencer os eleitores a levar a disputa a um segundo turno.
No último debate, realizado ontem pelo SBT, os candidatos tentaram tirar proveito da situação. A mulher de Joaquim Roriz disse não temer a negativa do registro de candidatura. "Estou muito firme e tranquila. Tenho bons advogados para me defender", afirmou. A candidato voltou a mostrar despreparo. Ela não utilizou o tempo disponível e demonstrando desconhecer seu programa de governo. Suas respostas foram curtas e vagas. "Vou governar com amor e com grandeza, governar como mulher de família, que sou".
Com a saída de Joaquim Roriz da disputa, P-SOL e PV querem, na reta final da campanha, evidenciar que existe uma terceira via. Para isso, aumentaram a pressão sobre Agnelo, que foi instado a dizer o que fará para conter a corrupção no DF. Agnelo é cobrado por sua aliança com o PMDB e com peemedebistas ligados a Joaquim Roriz e ao ex-governador José Roberto Arruda, que no ano passado foi preso, destituído do cargo e responde por envolvimento em esquema de desvio de verba pública.
Agnelo, que tenta se apresentar como alternativa política, mantém-se na defensiva. No último debate antes da eleição, ele gastou boa parte do tempo respondendo a questões sobre o que fará para impedir fraudes na administração da capital. Ontem, fez ironias e acusações ao candidato do P-SOL, lembrando que sua mulher, Maninha (P-SOL, ex-PT), candidata a deputada distrital, que já foi Secretária de Saúde do DF, tem que prestar esclarecimentos em processo reaberto pelo Tribunal de Contas do DF sobre irregularidades na aplicação de recursos públicos de R$ 1,3 milhão. O caso deixa apenas o candidato do PV, Eduardo Brandão, ainda fora do bombardeio de corrupção na política de Brasília.