Título: Richa promete quintuplicar votos em tucano no Paraná
Autor: Romero , Cristiano
Fonte: Valor Econômico, 15/10/2010, Política, p. A6

O governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), assumiu ontem o desafio de, no segundo turno, multiplicar por cinco a vantagem obtida no Estado pelo candidato tucano à Presidência, José Serra, sobre a petista Dilma Roussef. A intenção dele é elevar a diferença para 1,5 milhão de votos. No primeiro turno, Serra recebeu 2.607.664 votos no Paraná (43,94%) e Dilma ficou com 2.311.239 (38,94%), ou 296.425 a menos.

"Hoje já dobramos a vantagem", afirmou Richa. Ele contou que foi "convocado" pelo partido para trabalhar por Serra em quatro Estados além do Paraná: Tocantins, para onde deve ir na próxima semana, sul da Bahia, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

Richa esperava 3 mil, mas reuniu na cidade de Curitiba cerca de 9 mil pessoas de todo o Estado no restaurante Madalosso. No evento, agradeceu por sua eleição e pediu empenho de prefeitos, deputados e outras lideranças políticas na campanha de Serra. À vontade com o assédio dos presentes e as palmas constantes, ele falou das vantagens para o Paraná de ter um aliado como presidente.

Disse que houve uma "ameaça de tsunami" no país, que virou uma "marola vermelha, que morreu na praia" e vai dar lugar a "uma onda verde e amarela" para levar Serra à Presidência. Nas próximas semanas, ele deve passar três dias em campanha no Paraná e quatro dias em outros Estados.

Serra não veio a Curitiba, mas enviou um vídeo com mensagem gravada especialmente para o evento. Nele, lembrou que venceu no Paraná e conta com uma vantagem maior no dia 31. Hoje à tarde ele estará em Londrina, onde fará caminhada com Richa no centro, participará de carreata e de encontro com professores e lideranças regionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estará no Estado, no município de Telêmaco Borba. Junto com o ministro da Educação, Fernando Haddad, ele vai inaugurar, simultaneamente, quatro unidades do Instituto Federal do Paraná, que vão oferecer 970 vagas em 23 cursos técnicos. As outras unidades ficam em Umuarama, Jacarezinho e Paranavaí.

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, que participou do almoço pago pelo PSDB estadual, comentou as últimas pesquisas de intenção de voto e disse que, desde o primeiro turno, os resultados internos foram melhores que os apresentados pelos institutos: "Agora, estamos já numa posição de empate técnico, caminhando para a liderança."

Segundo ele, a adversária mudou o tom da campanha, que ficou mais agressiva, para "tentar reverter o quadro favorável" a Serra. Ele classificou como provocação a acusação de que o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, teria desviado R$ 4 milhões da campanha de Serra. "O cara nunca passou na campanha, nunca foi visto lá. É tudo mentira."

Mais tarde, na capital paulista, Guerra convocou às pressas uma coletiva, na qual não escondeu o clima de otimismo no ninho tucano com o avanço recente de Serra nas pesquisas. Em um discurso ufanista, o senador afirmou que o governo federal não quer fazer uma transição democrática e conspira em todo o país contra a campanha de Serra, inclusive utilizando a máquina pública.

"A eleição caminha para uma vitória nossa e esse pessoal não está disposto a aceitar isso. Estão atuando de todas as formas para evitar isso", disse. Como exemplo, citou a carta enviada ontem à imprensa pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, contra as supostas tentativas do PSDB de privatizar a estatal durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Gabrielli respondia a uma nota enviada pelo ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. Na nota, Zylbersztajn contestava as declarações de Dilma no debate promovido entre os presidenciáveis no domingo pela TV Bandeirantes, no qual a candidata afirmou que Zylbersztajn defendia a privatização do pré-sal. Na nota, ele esclareceu que não é a favor da privatização, mas sim do modelo de concessão.

Guerra também acusou o presidente Lula de usar a estrutura do Estado para favorecer Dilma Rousseff, ao criticar a oposição durante ato oficial do governo no Piauí.