Título: Nelson Barbosa reforça debate econômico
Autor: Romero , Cristiano
Fonte: Valor Econômico, 15/10/2010, Política, p. A6
A presença do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, na campanha presidencial de Dilma Rousseff - ele tirou férias para auxiliar a petista nesse segundo turno - servirá para reforçar o debate econômico com o candidato do PSDB, José Serra, e fugir da "armadilha udenista implantada pelo tucano", nas palavras de um dos coordenadores da campanha. "Temos que reforçar o debate sobre o futuro do país e não ficar presos a uma pauta de aborto e permissividade com o patrimônio público", resumiu ao Valor um dos principais interlocutores de Dilma junto aos partidos aliados.
Nesse segundo turno, quando a polarização torna-se mais intensa, Barbosa poderá ajudar fornecendo argumentos para contrapor o discurso do candidato do PSDB. Uma das questões a serem orientadas por Barbosa, por exemplo, surgiu no último debate na TV Bandeirantes, quando Serra acusou o PT de tentar privatizar o Banco do Brasil ao vender ações do banco na Bolsa de Nova Iorque. "Barbosa é um profundo conhecedor dessa área e vai ser muito útil para nós", afirmou um ministro próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, o secretário de Política Econômica é considerado uma pessoa bastante próxima de Dilma, tanto do ponto de vista pessoal quanto nas concepções de desenvolvimento econômico. Conflitam, porém, com as do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci, o coordenador da campanha. Barbosa tem perfil técnico mas também é conhecido por sua militância política, o que poderá "oxigenar" a campanha nessa reta final, nas palavras de uma pessoa próxima à candidata.
Para um integrante de um partido aliado, a campanha deve se esforçar ao máximo para mudar o tom do debate rumo à uma linha mais propositiva: "Precisamos forçar o Serra a explicar algumas coisas: se ele era tão fiscalista, como agora quer dar um mínimo de R$ 600? Se ele é simpatizante do Estado mínimo, como afirma que vai valorizar professores, médicos e policiais?"
Integrantes da campanha negam que esteja sendo elaborado um documento semelhante à "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002, quando Lula firmou o compromisso de manter os fundamentos macroeconômicos. Para eles, isso não é necessário nesse momento, pois Dilma já reforçou que não fará mudanças na política econômica. Avalia-se ainda que não foi o debate econômico, mas os boatos sobre o aborto e o escândalo envolvendo a ex-chefe da Casa Civil Erenice Guerra que impediram a vitória de Dilma em primeiro turno.
Além disso, na campanha do PT não se crê na avaliação de que o discurso de Serra sobre a Petrobras tenha sido responsável pela valorização das ações da empresa, em queda após o anúncio da capitalização. "Ninguém entende mais de Petrobras do que a Dilma. O principal assessor energético dele (David Zylbersztajn, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo) quer alterar as regras do pré-sal de partilha para a concessão e somos nós quem prejudicamos a Petrobras"? disse um aliado.