Título: Petista evita comentar pesquisa
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Fonte: Valor Econômico, 11/10/2010, Política, p. A8
Numa prévia do que se veria no debate realizado à noite pela Band, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou na manhã de ontem que tem sido vítima de acusações da época da Guerra Fria e descartou uma virada de direita para se eleger, em referência ao seu opositor na disputa, José Serra (PSDB), que estaria levando o debate turno para um campo mais conservador.
Dilma vem sendo alvo de boatos, em especial entre grupos religiosos, de que defende o aborto e de que nem Jesus Cristo tiraria dela a vitória. A candidata vem reiterando sua posição contrária ao aborto e nega ter dito as frases.
A petista visitou na manhã de ontem a Bienal de São Paulo, com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Ela apresentou propostas para a área da cultura e voltou a falar sobre a disputa presidencial. "Aquela acusação da Guerra Fria, dos anos 50, de quando você queria acusar uma pessoa, você falava que ela comia criancinhas, eu jamais esperei escutar uma coisa dessas e escutei."
Sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem, Dilma disse que não comentaria porque o resultado é um retrato do momento. O levantamento mostra que a petista tem 48% dos votos totais contra 41% de José Serra (PSDB). A diferença entre eles é de sete pontos percentuais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Quando se consideram os votos válidos (excluindo-se brancos e nulos), Dilma tem 54%, e Serra fica com 46%. A diferença entre eles vai a oito pontos percentuais. A pesquisa foi realizada pelo Datafolha para a "Folha de S.Paulo" e a Rede Globo com 3.265 entrevistas, no dia 8 de outubro.
A última pesquisa antes do primeiro turno, feita nos dias 1 e 2 de outubro, trouxe simulação do segundo turno com uma folga maior da candidata do PT em relação ao tucano: 52% a 40%, com 5% de votos em branco e nulos e 3% de indecisos. Ou seja, comparado ao que tem hoje, Dilma perdeu quatro pontos percentuais. "É necessário dizer que aquela era uma situação hipotética e hoje há um cenário real", ressalta o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
A grande vantagem de Dilma sobre Serra no Nordeste é que garante a atual dianteira à petista. A região - na qual se concentra o maior número de beneficiários do Bolsa Família e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem suas maiores taxas de aprovação - dá a ela 62% de intenções de voto. É o dobro dos 31% obtidos por Serra. Em todas as outras regiões, Serra está numericamente à frente, às vezes empatado com Dilma na margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Há empate técnico no Sudeste, onde o tucano tem 44% contra 41% da petista. O mesmo ocorre nas regiões Norte e Centro-Oeste combinadas, com Serra registrando 46% contra 44% de Dilma.
A única dianteira fora da margem de erro do tucano é no Sul, onde ele obtém 48% contra 43% da petista. Nessa região, aliados de Serra venceram as eleições para governador em dois dos três Estados - no Paraná e em Santa Catarina, com Beto Richa (PSDB) e Raimundo Colombo (DEM). No Rio Grande do Sul ganhou Tarso Genro (PT), que apoia Dilma.
O Datafolha também mediu a tansferência de votos dos eleitores de Marina Silva (PV) e apurou que, neste momento, eles vão majoritariamente para José Serra. Segundo o instituto, o tucano herda 51% dos quase 20 milhões de votos obtidos pela candidata do PV no primeiro turno da eleição.
Dilma fica com apenas 22% dos votos de Marina. O percentual dos eleitores de Marina dispostos a migrar para Dilma sofreu quedas nos últimos dias. No levantamento do Datafolha de 28 e 29 de setembro, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Na véspera da eleição, oscilou para 29%. Agora, está com 22%.
Curiosamente, Serra não aumenta sua capacidade de absorver os simpatizantes de Marina Silva. Ele tinha 51% nos dias 28 e 29 do mês passado. Oscilou para 50% na véspera do primeiro turno. Agora, voltou aos 51%. O que aumentou entre os "marinistas" foram os indecisos: eram 4% antes do primeiro turno. Agora são 18%. Outros 9% pretendem anular o voto ou votar em branco. A candidata do PV anunciou que fará uma série de consultas antes de anunciar um possível apoio a Dilma ou Serra. Mas essa decisão divide os eleitores brasileiros.
Segundo o Datafolha, para 42% Marina deveria apoiar Dilma. Outros 41% querem que ela declare uma adesão a Serra. E 7% dizem que ela não deveria apoiar ninguém. Há também 10% que não souberam responder.