Título: Alemanha sugere indicadores para avaliar situação dos países
Autor: Moreira , Assis
Fonte: Valor Econômico, 09/11/2010, Internacional, p. A11

A Alemanha é o primeiro país a listar alguns indicadores que serviriam para avaliar a situação dos países, reagindo à pressão dos EUA para contribuir mais na recuperação econômica global. O Valor apurou que Berlim sugere que os indicadores, que deverão ser negociados a partir de uma declaração dos líderes do G-20, na sexta-feira, incluam "o grau da flexibilidade das taxas de câmbio, o nível de medidas protecionistas, o montante de subsídios ineficientes e distorcivos e a sustentabilidade fiscal".

Os indicadores deverão ajudar a julgar "se há ambiente competitivo leal, em particular se há impedimentos ou distorções nos enquadramentos de nossas políticas que continuam para desequilíbrios amplos e persistentes".

Segundo maior exportador do mundo, atrás apenas da China, a Alemanha sente tanto o peso de um ambiente de mais protecionismo como de ter de rever seu modelo exportador para crescer.

Esta semana, o ministro alemão da Economia, Rainer Brüdele, acusou Washington de "manipular a cotação do dólar".

Também a China, pressionada na área cambial, está propondo que os líderes no G-20 se comprometam com promoção do livre comercio e investimentos para assegurar recuperação e crescimento, e ajudar a atenuar dificuldades nos países em desenvolvimento.

Para a Alemanha, os parâmetros gerais que vão sair no G-20 deverão consistir numa variedade de indicadores para cada um "medir se precondições para crescimento forte, sustentável e equilibrado são obtidos pelos países-membros", com diferentes políticas.

Certos negociadores estimam que diferenças entre Alemanha, China e EUA sobre desequilíbrios comerciais e responsabilidades para dar um impulso no crescimento vão continuar ainda por um bom tempo.

O governo da premiê alemã, Angela Merkel, adotou o que foi visto como um modesto pacote de estímulo no meio da crise econômica global para melhorar gastos de consumo anêmicos. As vendas no varejo no país continuam frágeis.

A Alemanha continua, no entanto, a ter um dos mais elevados saldos comerciais com seus principais parceiros.