Título: Grupo propõe Consenso de Seul
Autor: Moreira , Assis
Fonte: Valor Econômico, 10/11/2010, Internacional, p. A15
O G-20, grupo das maiores economias mundiais, vai recomendar abertura de mercado para os países mais pobres, mas favorecendo uma abordagem mais amigável, que põe o "crescimento resiliente" no coração da estratégia de desenvolvimento.
De acordo com o "draft" visto pelo "Financial Times", datado de 3 de novembro, o G-20 concorda que "não há uma fórmula única para o sucesso do desenvolvimento" e reafirma que países pobres e ricos devem trabalhar como "parceiros" para construir um crescimento duradouro.
O acordo é chamado de "Consenso de Seul para o Crescimento Compartilhado", numa tentativa de suplantar o Consenso de Washington, do fim dos anos 80, que recomendava o mercado livre como solução para tirar os países e suas populações da pobreza.
Em vez de promover a desregulamentação, a disciplina fiscal e a privatização, como no Consenso de Washington, o acordo em Seul vai sugerir nove "pilares" para a geração de crescimento. Isso inclui a construção de infraestrutura, para eliminar os gargalos nas economias, a inclusão financeira, a proteção social, a boa governança e a segurança alimentar.
O acordo é encabeçado pela Coreia do Sul. O G-20 acha que ele tem uma melhor chance de funcionar porque o grupo inclui países que conseguiram fazer com sucesso a transição da pobreza para a riqueza.
O "draft" considera a ajuda aos países essencial, mas "uma redução duradoura e significativa da pobreza não pode ser alcançada sem um crescimento sustentável e resiliente". As autoridades que ajudaram a desenhar o plano dizem que a maior parte da redução de pobreza vem do crescimento, não de ajuda.
O G-20 propõe também um novo foco em infraestrutura por parte de organizações como o Banco Mundial.