Título: Mantega descarta medidas para segurar dólar
Autor: Travaglini, Fernando
Fonte: Valor Econômico, 18/11/2010, Finanças, p. C2
De Brasília O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou como "insignificante" a queda de 0,80% na cotação de ontem da moeda americana frente ao real, após o período de sete dias sem registro de desvalorização. O dólar comercial encerrou a quarta-feira cotado a R$ 1,7260. Ele atribuiu a volatilidade às consequências da reestruturação da dívida da Irlanda e a incertezas em outras economias europeias. Para Mantega, não há, até o momento, necessidade de medidas adicionais para conter o fluxo de capitais especulativos no mercado financeiro do país. Por outro lado, ele manteve a expectativa sobre o arsenal de medidas da área econômica para conter a volatilidade do câmbio. "Não vejo necessidade de novas medidas neste momento, mas a qualquer momento, sabe como é... Vamos observar", afirmou. "Também não é bom ficar mexendo a toda hora no câmbio, vamos deixar ele se acomodar", complementou.
Desde que seu nome foi cogitado para permanecer na equipe da presidente Dilma Rousseff, Mantega tem se mostrado mais contido nas declarações.
As avaliações sobre o câmbio têm sido mais concisas, com a preocupação em reiterar sempre que o governo possui alternativas para conter os fluxos especulativos direcionados ao mercado brasileiro.
Somente em outubro, o governo adotou cinco medidas para conter a desvalorização do dólar frente ao real. Primeiro, elevou de 2% para 4% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em aplicações de estrangeiros em renda fixa, fundos multimercados e fundos de ações. Depois, com a continuidade da queda da cotação da moeda americana e ingresso de divisas estrangeiras, a Fazenda determinou nova alta de 4% para 6% no tributo.
A terceira medida foi a autorização dada ao Tesouro Nacional para a aquisição de US$ 10,7 bilhões a serem usados no abatimento antecipado da dívida externa. Na quarta ação, o Ministério da Fazenda elevou de 0,38% para 6% o IOF nas operações de câmbio para entrada de moeda quando os recursos foram destinados a compor garantia em aplicações nos mercados futuros da BM&FBovespa.
Por último, o Fundo Soberano foi autorizado a adquirir dólares no mercado de câmbio, embora essa última medida não tenha sido utilizada.