Título: PMDB e PT buscam convergência em Buenos Aires
Autor: Rittner , Daniel
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2010, Política, p. A8

As articulações para a sucessão no comando do Congresso atravessaram as fronteiras e chegaram a Buenos Aires, onde lideranças políticas brasileiras aproveitaram o VI Fórum Parlamentar Iberoamericano para tentar avançar em uma tentativa de acordo. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), e o deputado Maurício Rands (PT-PE) expuseram claramente as divergências entre os partidos.

"Se não houver acordo, vamos para a disputa", afirmou Alves, apresentando-se como único candidato pemedebista, até o momento, à presidência da Câmara. Ele descartou a possibilidade de incluir o comando do Senado nas negociações com o PT. O PMDB, que perdeu nas eleições de outubro a condição de maior bancada de deputados, quer adotar um revezamento com os petistas na presidência da Câmara, replicando o acerto que vigora na atual legislatura.

Rands defendeu um entendimento que abranja o Senado e permita a alternância entre os dois partidos no comando de cada casa legislativa - enquanto um preside a Câmara, o outro preside o Senado, durante cada biênio (2011/12 e 2013/14). Alves explicou que o PMDB concorda com o revezamento na Câmara, mas prefere o primeiro biênio e não aceita discutir o Senado. "O PT está numa briga interna grande", alfinetou o líder.

O atual presidente da Câmara e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), tentou colocar panos quentes e minimizou as consequências das diferenças entre os dois partidos para o início do governo Dilma. Mas endossou a postura de Alves. "Naquela vez (em 2007), nós não envolvemos o Senado, por causa do regimento da Casa, que estabelece que a maior bancada é titular do cargo [de presidente]."

Os três buscaram demonstrar que, independentemente das possibilidades de acordo, isso não afetará a "governabilidade" de Dilma. "O que o PMDB não vai fazer é criar um problema para o governo logo no início do mandato. Estamos trabalhando para que não seja um fator de trauma político", disse Temer.

"Isso jamais será um fator de quebra da unidade. No PMDB há consenso de que, no início deste governo Dilma, tenhamos o máximo de estabilidade política", reforçou o deputado petista. "Não há nada impositivo. Eu posso tanto convencer quanto ser convencido. Isso não é uma guerra", acrescentou Alves.

Temer afirmou que renunciará à presidência da Câmara em 15 de dezembro, dois dias antes de sua diplomação como vice-presidente da República. Ele defendeu a manutenção do número de ministérios que partido detém na Esplanada. Atualmente o PMDB tem seis. "Todos os partidos querem ampliar seu espaço, mas o melhor para o governo é mantar a mesma equação. Se você mexer algumas peças, começa a haver queixas. O que menos precisamos agora é de confrontações", justificou.

Mas até na composição dos ministérios ficou transparente a divergência. Temer defendeu a definição dos cargos executivos antes da Câmara. Rands seguiu na linha oposta e afirmou que "antes é preciso consolidarmos o itinerário", referindo-se ao entendimento sobre o rodízio no comando das duas casas legislativas. Além deles, estão em Buenos Aires os senadores - não reeleitos - Aloizio Mercadante (PT-SP) e Marco Maciel (DEM-PE), além dos deputados Odair Cunha (PT-MG), Albano Franco (PSDB-SE) e João Almeida (PSDB-BA). (DR)