Título: Abstenção aumenta e bate recorde no segundo turno
Autor: Klein , Cristian
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2010, Politica, p. A5

A abstenção cresceu mais de três pontos percentuais no segundo turno das eleições e bateu novo recorde. Com 99,98% dos votos apurados, chegou a 21,5%, ante 18,12% no primeiro turno. Apesar do recorde, a elevação do percentual do primeiro para o segundo turno seguiu a linha das últimas eleições. No pleito de ontem, os Estados do Norte e Nordeste lideraram os índices, com destaque para Maranhão (29,52%) e Acre (28,21%).

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, disse que a abstenção foi normal. "É algo absolutamente tolerável. Não macula o resultado final das eleições, pois 100 milhões de brasileiros compareceram às urnas". Ele descartou a possibilidade de alteração da data do segundo turno, fixada pela Constituição, mas sugeriu que o feriado fosse modificado.

A abstenção foi uma das principais preocupações do PSDB na reta final da campanha. Tanto que nos Estados governados pelo PSDB, o feriado de Dia do Servidor, em 28 de novembro, foi adiado para dias distantes da votação. Alberto Goldman, em São Paulo, e Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, marcaram a data para 11 de novembro; Antonio Anastasia, de Minas Gerais, antecipou-a para 25 de outubro.

O candidato a vice-presidência pelo PSDB, Índio da Costa, passou o final da campanha pedindo para a classe média não viajar. Ontem, no Rio, parecia comemorar. "A população não viajou, como se imaginava. Os hotéis em Balneário Camboriú estavam todos reservados e as pessoas não apareceram. Isso beneficia o Serra, sem sombra de dúvidas".

Já o presidente do PT e coordenador da campanha da presidente eleita Dilma Rousseff, José Eduardo Dutra, não parecida preocupado. "Pau que dá em Francisco, dá em Chico", brincou na sexta-feira, após o último debate na televisão.

No Rio, os tradicionais engarrafamentos dos feriadões aconteceram na sexta-feira. Em Búzios, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) montou até uma sessão exclusiva para eleitores justificarem os votos. O presidente do TRE-RJ, desembargador Nametala Jorge, criticou o fato de o segundo turno ser em meio a um feriadão. "O legislador deveria ter mais sensibilidade. O ideal seria que o pleito ocorresse em outra data". No Rio, a abstenção subiu de 17,37% para 21,03%.

Já em São Paulo, o presidente do TRE, desembargador Walter de Almeida Guilherme, acreditava que o mau tempo do último sábado na capital deveria ajudar a reduzir o índice de abstenção. No entanto, o percentual, que foi de 16,44% no primeiro turno, cresceu para 19,15% no segundo.