Título: Serra reverte voto no RS, mas vantagem é insuficiente no Sul
Autor: Agostine , Cristiane
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2010, Politica, p. A12
A região Sul, a única em que José Serra (PSDB) registrou vantagem em todos os Estados, não contribuiu com o resultado esperado pela campanha tucana. O candidato não atingiu a diferença prometida de um milhão de votos sobre Dilma Rousseff (PT) nem no Paraná, nem em Santa Catarina.
Apesar do esforço do PT gaúcho, a candidata do partido à Presidência, Dilma Rousseff, não conseguiu repetir, no segundo turno, a vitória obtida sobre o tucano José Serra no Rio Grande do Sul no dia 3. A petista recebeu 3,117 milhões de votos no Estado (49,03% dos votos válidos apurados até então), contra 3,237 milhões de votos (50,97%) do adversário do PSDB.
O objetivo do PT era equiparar o desempenho de Dilma no Estado aos números alcançados pelo governador eleito pelo partido ainda no primeiro turno, Tarso Genro, que recebeu 3,416 milhões de votos. No dia 3, a candidata havia obtido 3,007 milhões de votos no Rio Grande do Sul, 407 mil votos a mais do que Serra.
A coordenação da campanha da petista no Rio Grande do Sul no segundo turno foi assumida pelo próprio Genro, que defendeu a tese de que o Estado será beneficiado com a vitória do PT também no Palácio do Planalto. O governador eleito tinha como meta conquistar boa parte dos 725,6 mil votos alcançados por Marina Silva (PV) entre os gaúchos no primeiro turno.
O resultado de ontem repete, em parte, a eleição de 2006, quando o tucano Geraldo Alckmin venceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado no segundo turno por 3,486 milhões a 2,812 milhões de votos. A diferença é que há quatro anos o candidato do PSDB também havia vencido o do PT no primeiro turno, por 3,461 milhões a 2,053 milhões de votos.
Conforme Genro, que votou na mesma escola que Dilma, na zona sul de Porto Alegre, a candidata petista cresceu nas últimas pesquisas de intenção de voto porque "os tucanos erraram na dose da virulência verbal, dos ataques pessoais e das denúncias infundadas."
No Paraná, Serra ontem mais que dobrou a vantagem que obteve no dia 3 sobre a adversária. Ele alcançou 3.226.074 votos, ou 55,44%, e a petista Dilma Rousseff ficou com 2.592.647 (44,56%), uma diferença de 633 mil votos. No primeiro turno, a vantagem de Serra foi de 296.425 votos. A abstenção no Estado foi de 19,63%.
Embora o resultado do tucano tenha crescido, a diferença ficou aquém da esperada pelo principal apoiador de Serra no Estado. Pela manhã, o governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que contava com uma vantagem maior. "Esperamos passar um milhão de votos de diferença."
O PT esforçou-se para reverter o resultado do primeiro turno no Paraná, com visitas de Dilma Rousseff e do presidente Lula, que na semana passada fez comício na capital e deixou a cidade falando em virada. O PSDB, por sua vez, chegou a falar na possibilidade de ampliar a vantagem por cinco e chegar a 1,5 milhão de votos de diferença. No segundo turno, o PT conseguiu o apoio do PV local. Em contrapartida, o PDT, do candidato derrotado ao governo, Osmar Dias, ficou dividido, porque deputados estaduais eleitos não esconderam o interesse em ficar do lado de Richa na Assembleia Legislativa.
Em Santa Catarina, o tucano José Serra manteve a vantagem alcançada já no primeiro turno das eleições. O candidato do PSDB obteve vantagem de 473.909 votos sobre a petista Dilma Rousseff. Serra conquistou 56,61% dos votos válidos contra 43,39% da candidata no Estado. No primeiro turno, Serra tinha alcançado diferença de 250 mil votos sobre Dilma. Apesar da vitória, o prognóstico do senador eleito Luiz Henrique da Silveira (PMDB), coordenador de campanha tucano no Estado, não se confirmou: o peemedebista cruzou o Estado anunciando que o tucano venceria com diferença de um milhão de votos.
O presidente do PT em Santa Catarina, José Fritsch, comemorou a vitória da petista e declarou que Dilma deve dar continuidade ao trabalho de Lula e à política de não discriminar governadores e prefeitos, mesmo que não sejam da base aliada do governo federal.
O governador eleito de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), declarou que não fará um governo de hostilidade à presidente eleita. "Santa Catarina não será oposição ao governo, porque o Estado é maior que os governos", disse em entrevista à rádio CBN.