Título: Simão Jatene volta ao governo do Pará
Autor: Prestes , Cristine
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2010, Politica, p. A15

Eleições: Tucano vence a governadora Ana Júlia Carepa (PT), que contava com um alto índice de rejeição

O Pará elegeu ontem Simão Jatene, do PSDB, ao cargo de governador. Jatene, que governou o Estado de 2003 a 2006, volta ao Executivo estadual após vencer a disputa contra a atual governadora Ana Júlia Carepa (PT), que tentou a reeleição sem sucesso. A campanha, que replicou a polarização entre PT e PSDB do segundo turno das eleições presidenciais, foi marcada pela comparação entre as realizações do governo atual, de Ana Júlia, e do anterior, de Jatene.

Mal avaliada pela população, em especial de Belém, Ana Júlia enfrentava Jatene com um alto índice de rejeição entre os eleitores. A seu favor, o economista, que foi alçado ao governo em 2003 com o apoio de seu antecessor, o ex-tucano Almir Gabriel, contava com a aprovação de 60% da população quando deixou o governo. Jatene não disputou a reeleição em 2006 por causa de um acordo com Gabriel, que pretendia voltar ao governo. Após ser derrotado por Ana Júlia, o ex-tucano rompeu com Jatene, acusando-o de não ter lhe dado apoio na disputa. Depois de se afastar da política por alguns anos, Gabriel voltou ao cenário político paraense apoiando a reeleição de Ana Júlia no segundo turno dessas eleições.

Até o início da apuração dos votos, o histórico de erros nas pesquisas eleitorais realizadas no Pará deixava em Ana Júlia uma esperança de que a vitória ainda era possível. No primeiro turno das eleições, embora o Ibope tenha apontado que as eleições no Estado seriam encerradas no primeiro turno, com a vitória de Jatene com 52% dos votos válidos, as urnas levaram a disputa ao segundo turno. Jatene somou 48,92% dos votos, enquanto Ana Júlia obteve 36,05%. Da mesma forma, nas eleições de 2006, quando Ana Júlia saiu vitoriosa, as pesquisas indicavam vitória de Almir Gabriel ainda no primeiro turno. A petista, no entanto, não só foi ao segundo turno como venceu as eleições ao governo do Estado.

Ontem, a última pesquisa do Ibope realizada no Estado trouxe uma vantagem de 19 pontos percentuais a Simão Jatene. Segundo os dados da pesquisa, o tucano teria 59% dos votos válidos, enquanto Ana Júlia teria 41%, um cenário praticamente inalterado em relação à pesquisa anterior, realizada em meados de outubro. Na campanha de Ana Júlia, no entanto, o clima era outro: pesquisas internas mostravam uma reação da candidata e uma tendência de redução da diferença entre ela e Jatene, levando à crença de que a militância nas ruas e o efeito de apoios de última hora, como o de Almir Gabriel e de prefeitos do interior do Estado, poderiam levar a uma "virada".

A virada, no entanto, não se materializou, ainda que a diferença de votos entre os dois candidatos tenha sido menor do que a indicada nas pesquisas. Jatene obteve 55% dos votos, enquanto Ana Júlia ficou com 45%.

Ao longo da campanha para o segundo turno, Jatene ganhou o apoio de membros do PMDB, partido que, no Estado, é liderado por Jader Barbalho, eleito senador com 1,8 milhão de votos, mas que teve o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Jader Barbalho, cuja influência nas eleições paraenses vem de longa data, é apontado como o fiel da balança na disputa pelo governo do Estado. Quando Ana Júlia venceu as eleições de 2006, obteve o apoio de Barbalho para derrotar Almir Gabriel. Nessas eleições, no entanto, Barbalho optou por se manter em silêncio, liberando o partido a apoiar qualquer um dos candidatos. A maioria dos parlamentares peemedebista aderiu à campanha de Jatene.

O governador eleito venceu o pleito pela coligação "Juntos com o Povo", que reúne PSDB, PPS, PSDC, PMN, PRP, PRTB e DEM e obteve apoio de parte do PV, do PTB e do PR. Ontem pela manhã, Jatene ironizou a estratégia de Ana Júlia de vincular o voto em Dilma Rousseff à sua recondução ao governo, afirmando que a parceria entre governo federal e estadual levaria o Pará a acompanhar o crescimento do país. "Sugerir que é preciso ter prefeitos, governadores e presidente alinhados é uma agressão à democracia", disse. "O Pará é mais importante do que qualquer liderança política". Ontem à noite, após a confirmação de sua vitória, Jatene disse que "acabada as eleições, o país sabe que se desce do palanque e que os governantes têm que governar para todos".