Título: Arcebispo do Rio diz que igreja saiu fortalecida das eleições
Autor: Grabois , Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 03/11/2010, Politica, p. A9

O arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, afirmou ontem que a Igreja Católica saiu fortalecida após as eleições presidenciais deste ano. Ele negou que a instituição tenha apoiado um ou outro candidato e disse que isso ocorreu apenas de forma individual ou em grupos específicos. Dom Orani celebrou missa pelo Dia de Finados, no Cemitério São João Batista, na zona sul da cidade. "A Igreja soube fazer declarações bastante equilibradas, soube orientar seu povo para escolher da melhor maneira possível, não se desgastou, tomando partido aqui ou acolá, e os grupos que se manifestaram foi por sua própria conta. Eu acho que a Igreja sai muito mais forte, muito mais presente, muito mais equilibrada e, ao mesmo tempo, com um povo que soube se manifestar por todos os lados."

O arcebispo considerou naturais as mensagens divulgadas pelo papa Bento XVI e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), orientando os fiéis na reta final das eleições. "Aquilo que o papa colocou e que a Igreja Católica tem colocado é que a pessoa tenha consciência ao votar, que vote bem e que examine todos os projetos dos candidatos. Nossa missão, o trabalho de orientar, foi em plena sintonia com a CNBB, a arquidiocese e o papa. Creio que as pessoas entendem muito bem e sabem escolher conforme sua convicção."

Dom Orani disse discordar das críticas de que a Igreja não deveria se pronunciar em assuntos de política e defendeu o papel da instituição em períodos eleitorais. "Eu creio que a Igreja, oficialmente, sempre teve pronunciamentos orientando os eleitores. Devemos distinguir aquilo que é orientação específica de um grupo - que aí é responsabilidade de cada um - e aquilo que é Igreja oficial, de orientar as pessoas nas suas consciências. O cidadão que tem fé também tem responsabilidade e o direito de se manifestar."

Para o arcebispo, os pronunciamentos e apoios políticos nas eleições não causaram desgaste para a imagem da Igreja Católica: "A Igreja não apoiou nem um candidato nem outro. É uma interpretação errônea da posição da Igreja, que não tem candidatos nem partidos. A questão do desgaste depende de cada pessoa interpretar as coisas."

Dom Orani disse ainda o que espera dos candidatos que foram eleitos: "Que todos os governos eleitos, dos Estados e do país, possam cumprir as promessas, fazer o melhor pelo país e o bem para o povo."

Ontem, a ministra Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres) rompeu o silêncio após a polêmica do aborto durante o segundo turno e disse que "não há nada mais que o Executivo tenha que fazer" com relação à liberação da interrupção da gravidez. Nilcéa defendeu o discurso adotado pela então candidata Dilma Rousseff, de que não tomaria a iniciativa de propor a descriminalização. "Não há nenhum país que tenha feito mudanças na legislação em que tenha partido do Executivo", afirmou. Para Nilcéia, a bola agora está com o Congresso. (Com agências noticiosas)