Título: Faturamento e emprego crescem em ritmo moderado
Autor: Neumann, Denise; Rosas, Rafael
Fonte: Valor Econômico, 05/11/2010, Brasil, p. A3

De Brasília

O setor industrial registrou em setembro aumento de 1,9% no faturamento e retração de 0,4% nas horas trabalhadas. O comportamento dos dois indicadores, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete moderação no ritmo de expansão. Além desses dois indicadores, o setor apurou alta de 0,5% no emprego e redução no uso da capacidade instalada, que passou de 82,2% em agosto para 81,9% em setembro.

Com esses resultados, a CNI analisa que o setor industrial encerrou o terceiro trimestre com menor taxa de crescimento em comparação ao primeiro e ao segundo trimestres. A CNI chama a atenção para o fato de os dois indicadores mais relacionados à produção, o faturamento e as horas trabalhadas, terem apresentado ao longo do ano um comportamento errático, com altas e quedas intercaladas.

O gerente da Unidade de Pesquisa da CNI, Flávio Castelo Branco, analisa que essa trajetória irregular é, em parte, resultado da retirada dos estímulos tributários que impulsionaram e anteciparam o consumo nos primeiros meses do ano. O economista cita também os efeitos do câmbio. Por um lado, a desvalorização do dólar acentua a perda de competitividade das exportações. Por outro, acirra a concorrência entre produtores nacionais e estrangeiros no mercado doméstico.

Para Castelo Branco, o comportamento errático do faturamento e das horas trabalhadas na produção indica que o setor industrial tenta encontrar um novo padrão de crescimento em meio a um mercado aquecido, em que não há mais estímulos tributários e no qual a taxa de câmbio desponta como um dos fatores da formação de preços.

"O aumento da produção não acompanha o crescimento da demanda e, em parte, a explicação se deve à valorização do câmbio, que desloca parte da demanda para o setor externo da economia", comentou Flávio Castelo Branco ao se referir ao aumento das importações.

Apesar de exibir uma trajetória irregular, com forte impulso no início do ano e menor ritmo de expansão no terceiro trimestre, o setor industrial faz um balanço positivo no resultado acumulado, com taxas elevadas de expansão para a maioria dos indicadores. De janeiro a setembro, as altas foram de 11,3% no faturamento, de 8% nas horas trabalhadas na produção, de 5,3% no emprego, de 6,1% na massa salarial real e de 0,7% no rendimento médio real.

Para o último trimestre de 2010, a estimativa é de acomodação. "Os dados mostram que o setor industrial deve continuar crescendo, mas a taxas mais modestas, sustentado pelo crédito, renda e benefícios sociais. Mas parte dessa demanda será atendida por fornecedores estrangeiros e um contexto em que as empresas exportadoras enfrentam dificuldades", diz. Depois de queda de 4,3% no PIB industrial no ano passado, a CNI estima para 2010 um crescimento de 12,3% para o setor.

Em termos setoriais, a CNI observa que alguns subsetores de atividade ainda não se recuperaram plenamente dos efeitos da crise. Em relação ao faturamento, dos 19 segmentos pesquisados, em sete não houve recuperação plena, entre os quais os de madeira, refino e álcool, metalurgia básica e material eletrônico e de comunicação.