Título: No trajeto, ter ou não uma estação define expectativa dos municípios
Autor: Mandl , Carolina
Fonte: Valor Econômico, 19/11/2010, Brasil, p. C4

A um mês da abertura das propostas para o trem de alta velocidade (TAV) Rio-São Paulo, prefeituras de cidades que vão abrigar estações estão na expectativa sobre a chegada dos novos investimentos, enquanto as dos municípios que servirão apenas de passagem continuam receosas sobre os impactos que o empreendimento pode causar em seus territórios.

A prefeitura de Campinas (SP) estima que há um potencial de atração de R$ 2 bilhões em negócios na sua região metropolitana a partir da chegada do TAV. Para ganhar a estação do Vale do Paraíba fluminense, a administração municipal de Volta Redonda (RJ) anuncia aos investidores a construção de um centro que unirá o trem-bala ao terminal rodoviário e a um aeroporto de cargas.

Já as cidades paulistas de Caieiras e Santa Isabel esperam que a partir do resultado do leilão seja possível discutir com mais clareza as alternativas de traçado que menos prejudiquem os moradores e os negócios locais.

A construção do trem-bala e a expansão do aeroporto de Viracopos são os principais empreendimentos hoje para o desenvolvimento da região metropolitana de Campinas, segundo o secretário de Transportes da cidade, Gerson Luis Bittencourt. "O trem vai conectar a cidade aos dois principais centros econômicos do país, São Paulo e Rio de Janeiro. Isso com certeza atrairá novos investimentos para a região", diz ele.

A administração municipal planeja destinar uma área de 400 mil metros quadrados (m2) no entorno da estação do TAV no centro da cidade para investimentos mobiliários a encargo do consórcio vencedor. Outra área maior, de 20 milhões m2, próxima ao aeroporto de Viracopos, onde ficará outra estação do TAV, deve ser destinada a um centro empresarial.

No Rio, Volta Redonda está confiante de que sediará uma estação do trem-bala. Segundo Tebas Spinola, assessor de projetos da secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, a prefeitura vem trabalhando para tornar a cidade atrativa aos consórcios interessados no empreendimento. A ideia é dinamizar a região próxima à estação. Além de um aeroporto de cargas, a prefeitura quer desenvolver o setor de serviços, com foco em hotelaria. "Estamos buscando os setores que podem impulsionar a região", diz Spinola.

Em Santa Isabel (SP), o receio da prefeitura é de que o trem espante investimentos. De acordo com o traçado referencial, único divulgado até agora, os trilhos devem passar por área ocupadas pelas mineradoras Santa Isabel e Sargon. Uma vasta região residencial também aparece no caminho do trem.

A secretária de governo do município, Maria Ângela Sanches, diz que há pouco para a prefeitura fazer no momento. "Nós participamos das audiências públicas, apresentamos nossas preocupações, mas não tivemos nenhum retorno concreto do governo federal", reclama. Ela diz também que nenhum consórcio entrou em contato com a prefeitura para falar sobre os projetos de traçado. Mesmo assim, ela diz que o município não são é o trem-bala. "Não temos muito o que falar, e, no fim, os problemas dos municípios são pequenos perto do lado positivo do projeto", diz.

Em Caieiras, o volume de desapropriações pode ser um grande problema para o município, segundo a prefeitura. O prefeito Roberto Hamamoto (DEM) diz que de acordo com o trajeto referencial o número de locais desapropriados ficaria entre 400 e 600. A proposta da administração municipal é que todo o percurso seja subterrâneo, pois o traçado referencial passa pelo centro da cidade, próximo ao prédio novo da prefeitura, da delegacia e de um hospital.

Ele diz que a prefeitura não se colocou contra o projeto e que espera ser ouvida pelo consórcio vencedor para que a cidade tenha alguma compensação caso haja prejuízos. "Não temos como ser contra algo que é apenas uma referência. Estamos aguardando o resultado da licitação", diz.