Título: Diretor atribui queda das ações a compra além da conta
Autor: Schüffner , Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 22/11/2010, Investimentos, p. D1
A desvalorização das ações da Petrobras depois da capitalização foi resultado da reação de investidores que compraram mais ações do que pretendiam reter e as venderam assim que foram divulgados relatórios de bancos mostrando preocupações de analistas com as condições da cessão onerosa e da oferta. Essa é a avaliação do diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, para quem o fenômeno não tem ligação com o aumento da percepção de risco político da companhia. Nessa área, segundo ele, nada mudou recentemente.
De acordo com Barbassa, depois da queda de 25% dos papéis no último ano, como ocorre tradicionalmente em ofertas de ações, "todo mundo esperava a recuperação do preço logo a seguir". "Assim, todo mundo comprou mais do que gostaria de reter. Uma grande maioria, e alguns "hedge funds", compraram naquela expectativa, "eu compro hoje, amanhã aumenta 10% e ganho um dinheiro fácil". Quando veio a informação de que o preço foi alto, esse investidor pensou: "opa, eu estou com ação além do que eu quero e a um preço alto. Aí começaram a vender para sair logo da ação e derrubaram o preço. E reação de mercado é mesmo de boiada", resume o executivo, que lembra ainda o fato de o cenário internacional não ser dos mais favoráveis no momento.
Um dos relatórios de maior impacto foi o da Itaú Corretora, que rebaixou a recomendação para os papéis da companhia e apontou como preocupação da maioria dos investidores o aumento do risco político; o alto preço de avaliação dos barris da cessão onerosa; a pouca possibilidade de ganho extra dadas as cláusulas de renegociação firmadas com o governo; e o baixo retorno dos grandes investimentos em refino e em outras áreas fora da atividade principal da companhia. Outro quase consenso no mercado diz respeito às dificuldades logísticas e aos gargalos que precisarão ser vencidos na cadeira de suprimentos e na área de recursos humanos.
Apesar de admitir a existência de desafios, Barbassa destaca os pontos positivos, que, a seu ver, colocam a Petrobras em posição privilegiada diante de outras companhias do setor, tanto multinacionais como estatais. Pondera que hoje ela tem mais 5 bilhões de barris de petróleo para produzir e que já foram pagos antecipadamente, alta liquidez proporcionada pelos US$ 26 bilhões da capitalização e mais sondas capazes de perfurar e produzir em águas profundas. "O valor corrente das ações está extremamente atrativo. Há um potencial de ganho elevado no decorrer do próximo ano que é reconhecido pela maioria dos analistas", diz. (CS e FT)