Título: Reivindicada pelo PT, Pasta ganhou visibilidade política
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 02/12/2010, Politica, p. A13

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava em Washington, em dezembro de 2002, quando anunciou que a senadora Marina Silva ocuparia o Ministério do Meio Ambiente e o coordenador do governo de transição, Antonio Palocci iria, a Fazenda. Foram os primeiros ministérios anunciados. Depois de oito anos de governo Lula, parece bem mais complicado para a presidente eleita Dilma Rousseff definir quem fica à frente da Pasta. Na área ambiental, o recado que o presidente teria transmitido à futura presidente é o seguinte: "Não descuide do desmatamento da Amazônia ou te amolarão muito lá fora".

Na terça-feira, no Maranhão, e ontem, em Brasília, Lula sinalizou com a permanência no cargo de Izabella Teixeira, funcionária de carreira do Ibama desde 1982 e que ocupa a Pasta desde a saída de Carlos Minc para concorrer à Assembleia do Rio de Janeiro e eleger-se deputado estadual. Dilma, no entanto, ainda não bateu o martelo. A favor de Izabella há seu forte perfil técnico e o fato de Dilma querer ter algumas ministras, uma espécie de cota de gênero, à maneira celebrada pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet.

O currículo de Izabella Teixeira é outro ponto a seu favor, além da semelhança de estilo com a futura presidente. Izabella é bióloga com mestrado em planejamento energético e doutorado em planejamento ambiental pela Coppe/UFRJ. Em sua trajetória, gerenciou programas importantes como o célebre PPG-7, o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. Foi Minc quem a trouxe ao MMA, como sua secretária-executiva. "Izabella é uma técnica competente e Dilma tem este argumento. Pode dizer que não rifou o MMA com um dirigente político", diz um assessor.

"O problema de Izabella é que ela não tem padrinho", comenta um ambientalista. Seu cargo, ao contrário do que já foi no passado, é muito cobiçado. Há dois fortes nomes que vêm da Amazônia, o do senador eleito Jorge Viana (PT-AC) e do ex-governador e agora senador Eduardo Braga (PMDB-AM). "Este é o ponto forte e fraco dos dois", analisa um político paulista, lembrando também da gestão de Marina Silva. "A floresta é contemplada, mas as questões urbanas ficam em segundo plano."

"Dilma, agora, está fazendo contas", continua o ambientalista. "Tem muita gente do PT desempregada." Izabella Teixeira, destaca, foi leal à candidatura Dilma. Durante a campanha, nenhum grande problema ambiental ocorreu e no tema mais explosivo, a votação do substitutivo do deputado Aldo Rebelo na reforma do Código Florestal, Izabella disse que a oposição e a situação no que se refere a este assunto "são burras" e se vendeu como "a pessoa que poderia trabalhar na construção deste acordo."

Há outros nomes correndo pela chefia do MMA. O Rio de Janeiro tem apostado na engenheira Marilene Ramos, secretaria estadual do Meio Ambiente. O PT teria apresentado a Dilma uma lista de cinco nomes. Um dos mais fortes é o do petista José Machado, atual secretário-executivo do MMA, ex-prefeito de Piracicaba e que já pilotou a Agência Nacional de Águas (ANA). Outro nome é o do gaúcho Claudio Langone, ex-secretário executivo do MMA na gestão Marina. "É tudo muito obscuro porque ninguém sabe qual a proposta de Dilma para o MMA", diz uma ambientalista que teme o que Izabella quer dizer com "flexibilizar o licenciamento ambiental."