Título: Nomura espera enfraquecimento menor em 2011
Autor: Pinto, Lucinda; Campos, Eduardo
Fonte: Valor Econômico, 08/12/2010, Finanças, p. C3
O dólar americano poderá ficar mais estável em relação às principais moedas de países desenvolvidos em 2011, como euro, iene e libra. Mas continuará se enfraquecendo em relação ao real e outras moedas de emergentes. A projeção é de analistas do Nomura Securities, em Nova York, em relatório sobre o mercado de moedas globais para o ano que vem.
A expectativa é de que a moeda brasileira, que se valorizou 41% em termos reais desde 2009, prosseguirá se valorizando, só que em ritmo mais lento. Com o fluxo de capital atenuado por intervenções do Banco Central, espera "considerável estabilidade" no nível e volatilidade do real, especialmente no primeiro trimestre.
Nesse cenário, a corretora prevê que o dólar poderá valer R$ 1,72 no primeiro trimestre, para então descer gradualmente a R$ 1,62 ao final de 2011.
"Com maior crescimento econômico do que nas economias desenvolvidas, os emergentes estarão sob pressão para deixar suas moedas apreciarem ao longo do ano", diz Nomura.
Estima que um fator determinante no desempenho do real este ano foi a imposição do controle de capital. A alta do IOF para 6% reduziu o fluxo de capital para o Brasil, de US$ 16,7 bilhões em setembro para US$ 5,1 bilhões em outubro.
Sua interpretação é de que a intenção do governo brasileiro ao impor controle não é desvalorizar o real, e sim administrar o ritmo de alta da moeda por duas razões.
Primeiro, para dar ao setor industrial tempo para investir e elevar a produtividade, e não perder competitividade. E segundo, dar tempo para o governo de Dilma Rousseff implementar políticas para baixar a taxa de juro, vista como um grande fator na apreciação da moeda.
A menos que a apreciação do real acelere fortemente, a corretora não prevê imposição de mais controle de capital no Brasil. Com relação ao euro, as tensões sobre a dívida soberana são vistas como boa justificativa ao persistente prêmio de risco sobre a moeda, mas não se espera default em 2011 ou rompimento da união monetária europeia.
Espera-se que a libra esterlina, que sofreu uma desvalorização de 25% sobre as principais moedas desde 2007, comece a se recuperar lentamente.
A alta da inflação na América Latina é vista como um risco evidente pelo Nomura.
As moedas latino-americanas continuarão atrativas, apesar dos riscos de menor crescimento no mundo desenvolvido. Uma melhora na demanda doméstica pode levar a uma gradual apreciação do peso mexicano.
O yuan da China pode começar a se valorizar antes da visita do presidente Hu Jintao aos Estados Unidos, em janeiro. O foco nos riscos da inflação doméstica pode justificar esse passo.
A magnitude do ajustamento nas moedas da Ásia será determinado pela disposição chinesa de deixar o yuan apreciar contra a moeda americana.
Como a maioria dos bancos centrais asiáticos vincularam suas moedas ao yuan chinês, o ritmo da apreciação da moeda chinesa será a chave para a cotação das outras.