Título: Lula oferece mediação
Autor: Vaz, Viviane
Fonte: Correio Braziliense, 23/07/2010, Mundo, p. 16

Se Álvaro Uribe fez questão de levar as diferenças com Hugo Chávez para o âmbito da OEA, organismo que conta com a participação dos Estados Unidos, o governo brasileiro tentará colocar a questão no contexto da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Por meio de nota, o Itamaraty lamentou o rompimento entre os vizinhos, manifestou preocupação e reafirmou a disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressa em telefonemas a Caracas e Bogotá, para contribuir para a superação das diferenças.

Mais cedo, o assessor de Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, havia mencionado os telefonemas e manifestado otimismo com a perspectiva de uma solução diplomática.

Estou convencido de que haverá vontade das duas partes de resolver isso. O Brasil e as entidades multilaterais da região, a Unasul, evidentemente vão ajudar nessa direção, disse. Garcia manifestou confiança especialmente no sucessor de Uribe, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7. O Brasil está ajudando e vai continuar, através de conversas com as partes. Nós temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos, num futuro próximo, depois da posse do presidente Santos, de que isso venha a ser resolvido. Perguntado se a decisão de Chávez foi radical, o assessor de Lula respondeu: Eu não gosto de qualificar decisões de chefes de Estado estrangeiros. Há uma tensão que há muito tempo foi criada na região, e nós temos cooperado em várias ocasiões, com êxito, para reduzir essa tensão. Talvez seja a ocasião agora, com o começo do governo Santos e a possibilidade de que tenhamos um clima de aproximação mais consistente, insistiu.

No início da noite, em Caracas, Chávez confirmou que Lula e o presidente equatoriano, Rafael Correa, que exerce a Presidência rotativa da Unasul, tinham telefonado para demonstrar preocupação com sua decisão de romper as relações com a Colômbia. Acabo de conversar com o presidente do Brasil, nosso irmão Lula da Silva; preocupado com isso, ele fez seus comentários, disse Chávez.

Isso preocupa a todos, resumiu.