Título: O aliado ou os vizinhos
Autor: Vaz, Viviane
Fonte: Correio Braziliense, 23/07/2010, Mundo, p. 16

Nos meios diplomáticos da região, a pergunta nos últimos dias era o que pretendia Álvaro Uribe levando para a OEA, nos dias finais de seu mandato, uma acusação feita e repetida a intervalos regulares nos entreveros recorrentes com Hugo Chávez. O que não passou despercebido foi o foro escolhido: o presidente colombiano tirou o contencioso do âmbito da Unasul e de seu Conselho de Defesa, ambos arquitetados pelo Brasil para, entre outras missões, resolver entre sul-americanos os problemas de vizinhança em português (e espanhol) claro, sem ingerência de Washington.

Na prática, o sucessor de Uribe, Juan Manuel Santos, tomará posse no próximo dia 7 com a agenda diplomática previamente pautada.

Curiosamente, sua indicada para a chancelaria,María Angela Holguín, vinha colecionando sinais promissores na direção de normalizar as relações com o Equador por sinal, estremecidas também por incidente que teve as Farc como pivô.

Além de um conflito em escalada na fronteira oriental, Santos e Holguín herdam um dilema: a opção preferencial (de Uribe) pelo aliado poderoso do norte tem como efeito colateral o risco de isolamento do país ao sul.