Título: Indefinição na Saúde trava conclusão do ministério de Dilma
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 15/12/2010, Politica, p. A6

A presidente eleita, Dilma Rousseff, volta hoje a Brasília para tentar concluir a escolha de ministros do seu governo antes da diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para a tarde de sexta-feira. Três grandes Pastas ainda estão indefinidas: Saúde, Cultura e Relações Institucionais. Mesmo tendo seu nome envolvido no recente escândalo do Orçamento, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, continua sendo o nome mais cotado para substituir José Gomes Temporão. Na Cultura, estava praticamente certa a indicação de Ana de Holanda, irmã do compositor Chico Buarque de Holanda. Mas o PT de Minas quer indicar Luiz Dulci, alegando que as forças no Estado ficaram desequilibradas após a indicação de Fernando Pimentel para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Já as negociações para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) estão diretamente atreladas à definição do futuro ministro da Saúde. Caso Dilma confirme a indicação de Padilha, ela terá de escolher um novo articulador político do governo com o Congresso. A hipótese mais provável é o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), presidente do diretório estadual fluminense. O outro nome em cogitação era do atual vice-presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), mas ele conseguiu a indicação da bancada para a presidência da Casa no biênio 2011-2012.

A escolha do Ministro da Saúde transformou-se em um dilema para Dilma. Após conversa com a presidente eleita, no dia 29 de novembro, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, anunciou o Secretário de Saúde estadual, Sérgio Cortês, como ministro. Dilma desmentiu Cabral dois dias depois, durante reunião com especialistas do setor. Diante do impasse, voltou a crescer a hipótese da indicação de Padilha, que é médico sanitarista.

Mas, na sexta-feira, surgiu um documento, supostamente assinado pelo ministro, atestando a idoneidade de um Instituto fantasma destinatário de emendas parlamentares do Orçamento. Padilha convocou uma entrevista coletiva, disse que sua assinatura havia sido forjada e que os dados pessoais contidos no documento estavam incompletos. A avaliação no PT e no governo é que, como o assunto não prosperou após as explicações dadas pelo ministro, não há porque descartá-lo para a vaga de ministro da Saúde.

Dilma espera também definir hoje a situação do PSB. O deputado Ciro Gomes - que já aceitou voltar ao governo na gestão da futura presidente - volta das férias que tirou na Europa e deve ser convidado para o Ministério da Integração Nacional. Pouco depois da vitória de Dilma no segundo turno, o PSB chegou a cogitar pleitear a Pasta da Saúde para Ciro, como uma maneira de qualificar a presença do partido na Esplanada.

Mas as conversas não avançaram - principalmente porque Ciro dizia que não queria ser ministro e mudou de ideia apenas na semana passada - e o PSB vai ficar mesmo com a Integração Nacional, além da Secretaria de Portos e Aeroportos, para a qual será indicado Fernando Bezerra Coelho, indicado pelo presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Campos queria Coelho na Integração, mas concordou com a reorganização dos espaços do partido.

Para se preparar melhor, o PSB deve realizar dois grandes seminários envolvendo os assuntos em debate nas duas Pastas, ainda neste mês de dezembro.

Outra Pasta com desfecho ainda confuso é a Cultura. O atual titular, Juca Ferreira, fez um lobby intenso para permanecer à frente da Pasta, mas não foi capaz de sensibilizar Dilma, que gostaria de indicar Ana de Holanda para a vaga. Mas nos últimos dias cresceu a pressão de uma parte do PT de Minas para que Luiz Dulci assuma o ministério.

O problema é convencer o atual secretário-geral da Presidência. Ele tem dito a seus colegas de partido que está cansado após oito anos como ministro. E que seus planos futuros são acompanhar Lula no Instituto que o presidente criará após deixar o Planalto. "Nosso problema é diferente de todos os demais partidos: temos um nome que não quer ser ministro", brincou um militante do PT de Minas.