Título: Oferta externa deve continuar a suprir demanda doméstica
Autor: Travaglini, Fernando
Fonte: Valor Econômico, 23/12/2010, Brasil, p. A3
O crescimento econômico do país será menor em 2011 em relação ao desempenho deste ano. Segundo projeção do Banco Central divulgada ontem, o Produto Interno Bruto (PIB) deve se elevar 4,5%. O avanço, mais uma vez, será sustentado pela demanda doméstica. Para este ano, a autoridade monetária manteve a estimativa anterior, de expansão de 7,3% no PIB.
As informações constam do Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, publicado ontem pelo Banco Central. De acordo com o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araújo, o ritmo de expansão da economia projetado é mais condizente com um crescimento de longo prazo. "A perspectiva para este último trimestre e para os próximos anos indica que a economia deverá crescer em um ritmo mais condizente com taxas de crescimento avaliadas como sustentáveis para períodos mais longos", disse Araújo na entrevista coletiva para divulgação do relatório, ontem em Brasília.
A estimativa feita pelo Banco Central ainda leva em conta o desempenho da economia doméstica. Segundo o diretor do BC, a contribuição da demanda interna será de 4,9 pontos percentuais, enquanto a demanda externa terá impacto negativo de 0,4 ponto percentual no PIB do ano que vem.
Do ponto de vista da oferta, boa parte será suprida pelo mercado externo, por meio da importação de bens e do investimento estrangeiro, ampliando o déficit em transações correntes, estimado em 2,8% do PIB (neste ano, o saldo deve fechar negativo em 2,5% do PIB). "O déficit externo dá uma medida do descompasso entre a absorção doméstica e a expansão da oferta", ressaltou Araújo.
Ainda de acordo com as previsões do Banco Central, o setor agropecuário deverá crescer 0,5% no próximo ano, evolução consistente com a perspectiva de recuo anual de 2,5% para a safra de grãos, diz a autoridade monetária. Para o setor industrial, a projeção é de expansão de 5,4%, com destaque para a elevação de 7,8% na indústria extrativa mineral, impulsionada, especialmente, pela ampliação da produção de petróleo. Para o setor de serviços, a previsão da autoridade monetária é de um crescimento de 4,2% no próximo ano.
Com relação aos indicadores da demanda, a autoridade monetária projeta aumento de 4,8% para o consumo das famílias e de 2,4% para o consumo do governo. A formação bruta de capital fixo deverá aumentar 7,4%. Já as exportações e as importações de bens e serviços deverão aumentar, respectivamente, 8,3% e 11,9%, em 2011, segundo o relatório do Banco Central. (FT)