Título: Captações e Petrobras elevam fluxo
Autor: Travaglini, Fernanda
Fonte: Valor Econômico, 06/01/2011, Finanças, p. C6

As captações externas de bancos e empresas, somadas à oferta recorde de ações da Petrobras, levaram o fluxo de moeda estrangeira do segmento financeiro ao maior valor da série histórica do Banco Central, iniciada em 1982. A entrada de recursos para investimentos e aplicações em títulos e ações, entre outros, superou as saídas em US$ 26,004 bilhões ao longo do ano passado, segundo dados da autoridade monetária.

Foram US$ 378,351 bilhões em contratos de compra (entrada), contra US$ 352,351 bilhões em operações de venda (saída) registradas no ano passado no segmento financeiro. O maior patamar mensal foi atingido em setembro, justamente quando a Petrobras realizou sua capitalização. Nesse mês, o saldo dessa conta foi positivo em US$ 16,716 bilhões, o maior resultado mensal já apurado.

Por outro lado, o segmento comercial, que registra o movimento de dívidas decorrentes dos contratos de compra e venda no comercio exterior, fechou o ano com saldo negativo de US$ 1,650 bilhão. Foi a primeira vez desde 1997 que essa conta fechou no vermelho.

Historicamente, o segmento financeiro sempre foi responsável por saídas líquidas de recursos, enquanto a conta comercial compensa com entrada de dólares atraídos pelo saldo da balança comercial. Nos últimos anos, no entanto, esse cenário vem se modificando, à medida que o país atrai mais dólares oriundos dos investimentos diretos e para a bolsa. Ao mesmo tempo, os exportadores foram autorizados a deixar parte de seus lucros em moeda estrangeira no exterior. A exceção a essa regra foi o ano de 2008, que por conta da crise registrou forte saída de capital por parte dos estrangeiros.

No ano passado, a ordem se inverteu totalmente. O saldo positivo do movimento do câmbio foi garantido pelos dólares destinados às aplicações financeiras e de capital. Do lado comercial, houve déficit, apenas o segundo em quase trinta anos. Como resultado, o saldo total do movimento de câmbio no ano passado, somadas as contas financeira e comercial, foi positivo em US$ 24,354 bilhões. O valor é inferior ao total registrado em 2009, quando as entradas de divisas superaram as saídas em US$ 28,732 bilhões.

O país atraiu menos dólares do que o ano anterior mesmo considerando a oferta recorde de ações da Petrobras. Em 2008, devido à crise internacional, o fluxo foi negativo em US$ 983 milhões. O maior valor em termos globais foi atingido em 2007, quando o saldo final foi positivo em US$ 87,454 bilhões. Em dezembro, o fluxo de moeda estrangeira para o país foi negativo em US$ 1,91 bilhão, decorrente da saída líquida de recursos da conta financeira (US$ 2,418 bilhões) e entrada líquida na conta comercial (US$ 509 milhões). As exportações registraram ingresso de US$ 18,306 bilhões, enquanto a contratação para importações ficou em US$ 17,797 bilhões. Nas operações financeiras, a entrada foi de US$ 53,118 bilhões. Mas as saídas para o exterior somaram US$ 55,536 bilhões, no último mês do ano passado.

As operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), linha de financiamento para o comércio exterior, apresentaram recuperação nos últimos meses do ano e fecharam com movimento total de US$ 37,619 bilhões. O resultado é superior ao patamar de 2009, mas ainda segue abaixo dos montantes de 2008 e 2007, quando foi a US$ 46 bilhões. As modalidades de comércio exterior foram as que mais sofreram com a crise.