Título: Para Bornhausen, Marco Maciel desarma 'homens-bomba' do DEM
Autor: Ulhôa, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 25/01/2011, Política, p. A5
O ex-senador Jorge Bornhausen (SC) defende a eleição do senador Marco Maciel (DEM-PE) para a presidência do Democratas, em 15 de março, como solução para recuperar a "imagem ética" do partido e para manter o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na legenda. Segundo Bornhausen, há pessoas no DEM - que ele chama de "homens-bomba" - que querem a saída de Kassab, mas o prefeito estaria disposto a ficar, se tivesse situação "confortável".
"Não é verdade que a saída de Kassab do DEM [para filiar-se ao PMDB] já esteja decidida. Se estivesse, ele já teria saído. Há uns homens-bomba no partido que querem que o Kassab saia. É uma coisa absurda. Se os que querem a saída dele ficarem no comando do partido, é claro que estão expulsando-o. E com Marco Maciel ele ficará confortável. Essa é que é a verdade", disse ontem Bornhausen ao Valor.
A eleição do presidente do DEM - maior partido aliado do PSDB na oposição - está marcada para 15 de março, em convenção nacional, e o partido está dividido. De um lado, Bornhausen, Kassab, senadora Kátia Abreu (TO) e deputado Índio da Costa (RJ), entre outros. À frente de outro, os deputados Rodrigo Maia (RJ), atual presidente, ACM Neto (BA) e Ronaldo Caiado (GO). Essa ala apoia a candidatura do senador José Agripino (RN) para a presidência da sigla.
Líder no Senado, Agripino havia sido convidado pelos dois grupos e chegou a ser considerado candidato de consenso. Foi surpreendido, no entanto, com a notícia de que Maciel havia sido convidado pelo grupo de Bornhausen.
Agripino, então, sentindo-se "desconsiderado", anunciou que será candidato, tendo ou não adversário na convenção do dia 15. Bornhausen confirmou ter feito o convite a Agripino, mas o senador disse-lhe que aceitaria só se fosse candidato de consenso. O problema é que Rodrigo Maia deu declarações rejeitando o acordo e seu grupo passou a defender a candidatura do deputado Ronaldo Caiado (GO) - que, no entanto, não foi confirmada.
"A partir desse momento, nós procuramos encontrar um candidato que pudesse dar ao partido as condições que ele precisa de imagem ética. E achamos que esse nome é o do senador marco Maciel", afirmou Bornhausen. Segundo ele, o problema do partido é de imagem, desde o caso de corrupção que tirou do cargo o então governador do Distrito Federal - que era o único do DEM -, José Roberto Arruda.
"A imagem ética do partido foi abalada por ocasião do episódio de Brasília. É hora de recuperação. E o senador Maciel tem uma imagem ética muito forte", afirmou Bornhausen. Maciel foi vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso e já presidiu o PFL. Ele termina seu mandato no dia 31 e não foi reeleito. Maciel ainda não está formalmente lançado.
O grupo de Bornhausen aguarda a escolha do líder da bancada na Câmara dos Deputados, no dia 31. O resultado é considerado decisivo para a disputa pelo controle do partido. Concorrem à liderança os deputados ACM Neto - neto do ex-senador Antonio Carlos Magalhães -, apoiado por Maia, e Marcos Montes (MG), lançado pelo atual líder, Paulo Bornhausen (SC), filho do ex-senador.
"Cada episódio a seu tempo. No dia 31 se encerra episódio da liderança. No dia 1º começa o processo pela sucessão do partido", disse Bornhausen. O ex-senador catarinense presidiu o então Partido da Frente Liberal (PFL) por dez anos, até sua "refundação" em 2007, que levou à troca de nome para Democratas e à eleição de Maia para o comando da legenda.
A ida de Kassab para o PMDB é dada como certa. Segundo integrantes do DEM, sua intenção é ter um aliado no comando no partido para que sua desfiliação não seja contestada judicialmente. Além disso, ele gostaria de manter o controle do DEM e do PMDB em São Paulo, para fortalecer seu projeto de disputar o governo estadual em 2014. Kassab é politicamente ligado ao candidato derrotado à Presidência pelo PSDB, José Serra.