Título: Brasil deve se beneficiar ainda mais, diz E&Y
Autor: Leo, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2011, Especial, p. A14

A tendência de grandes empresas multinacionais instalarem centros de pesquisa no Brasil deve ser mais forte nos próximos anos, porque essa é a estratégia mais eficiente para a operação das empresas globais, disse ao Valor o chefe para operações globais da consultoria Ernst&Young (E&Y), John Ferraro. A empresa divulga, nesta semana, seu estudo "Vencendo num Mundo Policêntrico", uma análise das mudanças exigidas das empresas para operar nas novas condições da economia global.

"O Brasil tem o mesmo código postal de China, Índia ou Turquia", comentou Ferraro, que explica pela forte atração do mercado doméstico o mau desempenho do país no "Índice de Globalização" também elaborado pela Ernst&Young. Entre 2009 e 2010, o Brasil subiu apenas uma posição, para o 46º lugar entre 60 economias, desempenho abaixo do Egito e de quatro outros países latino-americanos: Peru, Colômbia, México e Chile. A abertura em setores como comércio, fluxo de capitais, tecnologia e cultura são padrões para a medida do índice.

"Países com grandes mercados como o Brasil têm tendência a voltar-se para dentro", explica o executivo, que, há poucos meses, enviou ao país uma equipe da Ernst&Young baseada na China, para comparar experiências. "Questões fundamentais na China, na Índia e no Brasil têm mais a ver entre si que as da China com Coreia, ou Brasil com EUA", explica.

Ferraro aplica, na prática, as recomendações do relatório da consultoria, que identificou um conjunto de estratégias fundamentais para a operação das empresa globais, entre elas a necessidade de dar maior autonomia para ação de suas subsidiárias em países importantes, como forma de adaptar-se melhor às exigências do mercado. Essa autonomia deve ser guiada por um contato próximo com as matrizes, para evitar duplicação de esforços, mas também exige um sistema "policêntrico" de inovação, com investimentos em centros de pesquisa fora das sedes.

Segundo a pesquisa da Ernst&Young, apenas 16% entre cerca de 1 mil executivos de todos os continentes informaram aplicar em países emergentes mais de um quarto de suas despesas em inovação. Essa fatia deve subir para 27,6% em cinco anos, segundo informaram as empresas. Na América Latina, a proporção subirá de quase 35% para mais de 45%; nos EUA, mais que duplicará, de 11% para 23%.

A pesquisa constatou também que as empresas necessitarão buscar mais parcerias com governos, presença forte nas economias emergentes. Nomear executivos com experiência internacional será fundamental para entender os mercados estratégicos do futuro, defende o executivo.

Hoje, quase 30% das empresas não têm um único executivo que tenha vindo de fora do país-sede. "Todos sabem a vantagem da diversificação, mas partir para a ação é difícil", diz Ferraro.