Título: Desemprego é o menor desde 2003
Autor: Rosas, Rafael
Fonte: Valor Econômico, 28/01/2011, Brasil, p. A2

O mercado de trabalho voltou a apresentar expressiva melhora em dezembro, com mais um recorde de baixa na desocupação, com taxa de 5,3% na média das seis regiões metropolitanas analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do desemprego mais baixo da série iniciada em 2002, a pesquisa de dezembro mostra recorde para a população ocupada, que atingiu 22,450 milhões de pessoas, e o nível mais baixo da população desocupada, que ficou em 1,251 milhão de pessoas.

Na média do ano, a taxa de desocupação foi de 6,7%, a menor desde o início da série, enquanto o contingente médio de ocupados foi de 22,019 milhões de pessoas, uma alta de 3,5% frente a 2009, no maior crescimento na série desde 2003. Entre 2003 e 2010 o contingente de ocupados subiu 18,9%.

"O contingente de ocupados em 2010 teve maior alta desde 2003, o que mostra que país se recuperou da crise", frisou o gerente da PME, Cimar Azeredo, lembrando que a média anual para o nível de ocupação também foi recorde, de 53,2%.

Azeredo destacou que o nível de ocupação entre 2003 e 2010 cresceu "com qualidade", baseado na expansão da carteira assinada no setor privado. Em 2010, na média, os trabalhadores com carteira assinada no setor privado representaram 46,3% da população ocupada nas seis regiões metropolitanas da PME. No total, esse contingente somou 10,191 milhões de pessoas, uma alta de 7,2% frente a 2009 e um crescimento de 38,7% na comparação com a média de 2003.

Em contrapartida, os funcionários sem carteira no setor privado caíram de 15,5% na população ocupada em 2003 para 12,1% no ano passado. Também caíram, como fatia da população ocupada, os funcionários públicos sem carteira assinada, passando de 1,5% da população ocupada em 2003 para 1,3% em 2010, os empregados por conta própria, de 20% em 2003 para 18,4% em 2010, os trabalhadores domésticos (de 7,6% para 7,3%), os empregadores (de 5,5% para 4,5%), e os outros trabalhadores (de 1% para 0,5%).

Azeredo observou que a inflação em alta contribuiu para que a recuperação do rendimento médio real dos trabalhadores ocupados nas seis regiões metropolitanas analisadas pela PME ficasse abaixo do esperado um ano depois da crise financeira internacional. Em 2010 o rendimento médio real ficou em R$ 1.490,61, apenas 3,8% acima dos R$ 1.436,69 médios de 2009. O avanço está em linha com a alta de 3,2% registrada pelo rendimento entre 2008 e 2009.

"A inflação tem peso para o progresso do rendimento ter sido mais tímido do que se poderia esperar. A inflação funciona como uma espécie de barreira para o rendimento", disse Azeredo. "Mas há vários fatores. A própria formalização pode contribuir para a queda do rendimento." Ele lembrou que em dezembro o rendimento médio real ficou em R$ 1.515,10, 0,7% abaixo dos R$ 1.526,36 de novembro.

O gerente da PME ressaltou que São Paulo ainda apresentou, em 2010, o maior rendimento médio real, com R$ 1.615,73 de média anual. A diferença para as demais regiões metropolitanas está, no entanto, regredindo, já que o rendimento na maior região metropolitana do país cresceu apenas 0,4% no ano passado e 13,1% desde 2003, o menor nível entre as regiões pesquisadas.