Título: Novo instrumento de intervenção no mercado é inócuo e dólar volta a cair
Autor: Travaglini, Fernando
Fonte: Valor Econômico, 01/02/2011, Finanças, p. C2
O Banco Central (BC) realizou ontem os primeiros leilões a termo de moeda estrangeira, contrato de compra de dólares com liquidação em data futura. Esse novo instrumento de intervenção no mercado de câmbio se juntou às compras no mercado à vista (spot) e aos leilões de swap cambial reverso, retomados pelo BC no início do ano.
Mesmo com os três leilões de dólar a termo e outros dois feitos no mercado à vista, o resultado foi de nova apreciação do real frente ao dólar. A moeda americana fechou em baixa de 0,29%, cotado a R$ 1,6734 na venda (Ptax). Parte dessa queda se deve à definição da taxa Ptax para o mês de janeiro, que por definir os valores dos contratos futuros estimula os bancos a puxarem para baixo a cotação. A própria expectativa de realização dos leilões a termo contribui com a queda.
As três operações de compra de dólares a termo, feitas ontem, têm vencimento nas próximas três quartas-feiras. As taxas de corte definidas pelo BC ficaram em R$ 1,6767 para pagamento no dia 9, R$ 1,68 para os contratos que vencem no dia 16 e R$ 1,6825 para as liquidações em 23 de fevereiro.
O trabalho do BC tem sido duro para tentar conter a valorização do real frente ao dólar e, no ano, a autoridade monetária tem vencido algumas batalhas. Em janeiro, o real se desvalorizou 0,43% em relação ao dólar.
No dia 3 de janeiro, a moeda americana chegou ao que parece ser o seu piso, em R$ 1,651.
Na sequência, o Banco Central criou o recolhimento compulsório para as posições vendidas dos bancos, voltou a oferecer swap cambial reverso como forma de atuar no mercado futuro e, na última semana, anunciou os leilões a termo de dólar, uma novidade. O BC também não compra mais divisas acima do fluxo, como fez em 2010, permitindo a redução das posições vendidas dos bancos.
Para Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, pode-se dizer que o BC tem conseguido segurar a cotação do dólar ao redor do patamar atual, mas o trabalho será árduo e não há perspectivas de mudança da tendência de apreciação do real no curto prazo.
Segundo ele, há uma pressão muito forte sobre a cotação, seja pela necessidade de se financiar o déficit em transações correntes da ordem de 3% do PIB neste ano, como também pelo forte fluxo de divisas para o país, que em janeiro deve ter superado os US$ 10 bilhões.