Título: Medicamentos para diabetes e pressão alta serão gratuitos
Autor: Máximo, Luciano
Fonte: Valor Econômico, 04/02/2011, Brasil, p. A4

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, durante solenidade no Palácio do Planalto, a distribuição gratuita de medicamentos para combater a hipertensão e a diabetes nas redes integrantes do Programa Farmácia Popular e nas redes privadas com o selo "Aqui tem farmácia popular". Essa foi uma das promessas feitas pela presidente durante a campanha presidencial de 2010. Esses remédios já eram vendidos com desconto de 90% e o governo conseguiu, em negociação com o setor privado, universalizar a distribuição gratuita.

Dilma defendeu a medida, afirmando que 34% dos óbitos verificados no país são causados por uma dessas duas doenças. Dados apontados pela presidente mostram que metade da população acima dos 40 anos - aproximadamente 33 milhões de brasileiros - é hipertensa ou diabética. Além disso, 30% dos brasileiros não sabem que têm a enfermidade. "Por isso, firmei o compromisso de universalizar a distribuição desses medicamentos", justificou Dilma.

A presidente afirmou ainda que isso ajudará a descongestionar o Sistema Único de Saúde (SUS), outro ponto tradicional de distribuição de medicamentos. O Brasil conta atualmente com mais de 500 unidades da rede Farmácia Popular e outras 15 mil farmácias privadas que participam do programa. "Nosso projeto tem mais unidades de atendimento do que Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios juntos, para termos noção da abrangência dessa medida", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

De acordo com ele, a portaria assinada ontem pela presidente dá um prazo até 14 de fevereiro para que os dois medicamentos estejam à disposição para os pacientes em toda a rede credenciada. "Mas a venda será rigorosa. Continuaremos exigindo a apresentação da receita médica e os vendedores terão uma senha para registrar a venda", esclareceu Padilha.

Dilma reconheceu que o ideal seria o governo disponibilizar gratuitamente todos os medicamentos para a população mais carente, mas acrescentou que, no momento, essa intenção restringe-se apenas aos remédios anunciados ontem. Ela confirmou também que será realizada, neste ano, a 14ª Conferência Nacional de Saúde. "Queremos ampliar, não apenas o acesso, mas também o atendimento do SUS", disse Dilma.

A presidente admitiu que o SUS é uma estrutura ainda incompleta. "Ele tem falhas que nós temos a obrigação de sanar, até porque, apesar das suas limitações, o nosso SUS é uma conquista inestimável da democracia brasileira, um sistema solidário e universal, fruto da Constituinte no ciclo da nossa redemocratização dos anos 80", afirmou.

Após a cerimônia, Dilma deu sua primeira entrevista no Palácio do Planalto. O diálogo com os jornalistas presentes foi relâmpago - durou exatamente 25 segundos. Não respondeu sobre a indicação de Henrique Meirelles para ser Autoridade Olímpica do país ou acerca da briga com o PMDB sobre Furnas. Ela limitou-se a comentar seu primeiro mês de mandato. "Foi um bom começo de governo. Acho que foi um mês de muito trabalho e acredito que é um indicativo da quantidade de trabalho que eu terei nos próximos [meses]", disse.