Título: Comando do DEM terá chapa única
Autor: Grabois , Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 15/02/2011, Política, p. A11

Lideranças do DEM reuniram-se ontem, em São Paulo, para tentar unificar a legenda. No encontro, o senador José Agripino Maia (RN) e os ex-senadores Jorge Bornhausen (SC) e Marco Maciel (PE), decidiram que a convenção para definir o novo presidente da legenda, em 15 de março, terá chapa única. "Vamos buscar a chapa única, o futuro do partido e a recuperação de imagem", afirmou Bornhausen. Segundo o ex-senador, a escolha deve se dar entre os nomes de Agripino e Marco Maciel. "Minha sugestão é que um dos dois seja o cabeça de chapa, os dois são fundadores do partido", disse. A escolha do nome para representar a chapa única está prevista para hoje, em reunião de Agripino com os deputados ACM Neto (BA), Eduardo Sciarra (PR), Roberto Brant (MG) e Índio da Costa (RJ).

O DEM vive uma forte divisão interna, intensificada depois dos resultados desfavoráveis nas eleições de 2010. De um lado, está o grupo do atual presidente da legenda, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), que inclui o deputado federal ACM Neto e a maioria da bancada do Norte e do Nordeste. Do outro, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, defensor da fusão do DEM com outro partido. "Quero que todos fiquem no partido", afirmou Bornhausen.

O senador Agripino é apoiado por Rodrigo Maia e ACM Neto, contrários à fusão do DEM ou mudanças de rumo da legenda. Já Marco Maciel foi lançado por Bornhausen e Kassab. O recuo na defesa pela candidatura de Maciel ocorreu depois da derrota do grupo de Bornhausen e Kassab na eleição da liderança do DEM na Câmara. Sciarra (PR), apoiado pelos dois, foi derrotado por ACM Neto.

A movimentação para unificar o DEM já levou o prefeito Kassab a avançar no projeto de lançar um novo partido que lhe permita depois fazer uma fusão com o PMDB ou PSB. Kassab contabiliza que teria a maior bancada federal de São Paulo e cerca de cem prefeituras paulistas.

O lançamento do novo partido é visto como "rito de passagem", uma brecha para escapar da regra da fidelidade partidária caso houvesse uma migração para outra legenda. Kassab e seu grupo, majoritariamente de políticos de São Paulo, só sairiam do DEM e fundariam a nova legenda se tiverem assegurada a fusão com PSB ou PMDB. Entre os que já teriam se unido a Kassab figura o governador de Santa Catarina, Raymundo Colombo. No PMDB, Kassab já conversou com o vice-presidente, Michel Temer. No PSB, já tratou da eventual fusão com o presidente da legenda, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.