Título: Em reunião com Temer, PMDB defende eleições casadas
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Fonte: Valor Econômico, 17/02/2011, Política, p. A12

O vice-presidente Michel Temer se reuniu ontem pela primeira vez com a bancada do seu partido na Câmara, o PMDB, para defender alguns pontos da reforma política, como o "distritão" (no qual os mais votados em cada Estado são os eleitos), a rejeição ao voto em lista e ao financiamento público "puro" das campanhas; e um período de alguns meses para que políticos possam mudar de partido após as eleições, a chamada "janela" na fidelidade partidária. A maioria dos deputados apoiou as propostas de Temer, mas a maior defesa que se viu na bancada foi pela realização de eleições unificadas para todos os cargos do país a cada quatro anos. Os motivos para justificá-la foram variados.

"É preciso unificar as eleições. Quantos deputados que entraram na Câmara e que são candidatos a prefeito e muitas vezes se sentem acuados em algumas votações no plenário", disse o deputado Leonardo Quintão (MG), que, assim como em 2008, deve disputar as eleições para prefeito de Belo Horizonte em 2012.

Ex-presidente da Funasa, o deputado Danilo Cabral (CE) disse que as eleições a cada dois anos prejudicam a população, pois há retenção de recursos por parte da União: "Do ponto de vista fiscal, as eleições param o país. São praticamente seis meses que se perdem em repasses ou transferências e quem se prejudica na ponta é a população, pois as obras têm ritmo menor de andamento."

Para Celso Maldaner (SC), é a dificuldade em se fazer campanha que deve justificar a aglutinação das eleições. "A gente percorre mais de 100 municípios a cada dois anos. Por isso a coincidência dos mandatos é fundamental", disse.

Marcelo Castro (PI), afirmou que, uma vez unificadas, o PMDB seria o maior beneficiado devido à sua capilaridade no país. "Hoje é um tal de eleição de dois em dois anos. Se houvesse coincidência de eleições seria natural que os candidatos fossem todos do PMDB." Para Arthur Maia (BA), a coincidência dos mandatos leva a uma "banalização" das campanhas. Manoel Júnior (PB) afirmou que "a coincidência é fundamental" pois "as prefeituras são frágeis e não suportam carregar a estrutura da Justiça Eleitoral" a cada dois anos.

A mais relevante divergência quanto à tese defendida por Temer, das eleições majoritárias para a Câmara, foi de Alceu Moreira (RS), que integra a "Afirmação Democrática", grupo minoritário na bancada que contesta a "marca fisiológica" do partido. "Tenho discordâncias brutais da sua tese [dirigindo-se a Temer]. É possível defender a lista fechada e discutir regras internas para tornar a democracia partidária mais eficaz. Pelo que Vossa Excelência defende, teríamos um belo artista de TV fazendo campanha nos distritos. Elegeríamos grandes artistas, mas quem sabe não grandes parlamentares." (CJ)