Título: Jornal acompanhou mudanças tecnológicas e antecipou tendências
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/02/2011, Especial, p. A3

De São Paulo

Ao longo de nove décadas, a "Folha de S. Paulo", o maior jornal de circulação nacional do país, soube acompanhar as mudanças tecnológicas que costumam desafiar as companhias jornalísticas, antecipando, no Brasil, muitas das tendências que se consagrariam na imprensa.

Da adoção do sistema de fotocomposição em 2001, ao lançamento, no ano passado, de uma versão do jornal para o iPad - o computador que redefiniu a categoria dos tablets -, a "Folha" chega aos 90 anos repleta de exemplos pioneiros que mostram como os jornais podem se adaptar aos novos tempos sem deixar de ser relevantes à sociedade. É um testemunho que ganha importância na atual fase da era digital, quando se questiona insistentemente a sobrevivência de jornais e revistas frente aos novos meios on-line.

"Analistas já decretaram a morte da versão impressa muitas vezes", diz Luiz Frias, diretor-presidente do Grupo Folha. "Por mais que seja agnóstico em relação ao formato - é o conteúdo que faz a diferença - não acredito no fim do papel no curto prazo", diz o empresário.

Em vez de uma mudança radical, o caminho mais provável é a convivência entre meios diferentes, afirma Frias. Essa dinâmica tem servido de parâmetro ao surgimento de várias tecnologias e não se restringe ao embate entre o jornal impresso e os formatos mais recentes de acesso à notícia. "É o que vemos, hoje, acontecendo entre o tablet e o celular", diz Frias. "O que deverá haver é uma mudança gradual e lenta no peso relativo entre os diferentes formatos, com o impresso perdendo importância lentamente."

Isso não quer dizer que as companhias jornalísticas não devam preparar-se para as mudanças. A internet, em suas primeiras fases, criou no leitor a ideia de que ele pode obter quase tudo o que quiser de graça, com consequências desastrosas para muitos negócios, como a música e o cinema. Para Frias, as companhias jornalísticas não podem ter uma atitude passiva diante desse desafio. "[Fechar o conteúdo dos sites na internet, passando a cobrar por eles] é um movimento não só viável como urgente", afirma. "A lentidão em tomar essa atitude talvez seja devida à espera que o colega faça primeiro."

Para comemorar seus 90 anos, completados no dia 19, a "Folha" deu mais um passo em sua estratégia digital, com o lançamento do Acervo Folha, uma versão digitalizada de seu conteúdo impresso desde 1921. Com a iniciativa, cerca de 1,8 milhão de páginas passam a ficar disponíveis ao leitor via internet, incluindo edições da "Folha da Noite", "Folha da Manhã" e "Folha de S. Paulo".

Na fase inicial, o Acervo Folha estará disponível a qualquer pessoa. Após esse período, o acesso gratuito será mantido apenas para assinantes do jornal.

A "Folha" foi fundada como "Folha da Noite" em 19 de fevereiro de 1921, por Olival Costa e Pedro Cunha. Em 1962, depois de algumas mudanças acionárias ocorridas nesse intervalo, Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho assumiram o controle da empresa Folha da Manhã, proprietária do jornal, criando o Grupo Folha. Em 1990, Luiz Frias assumiu a presidência do grupo. Otavio Frias Filho é diretor de redação da "Folha" desde 1984. O Valor é controlado pelo Grupo Folha e pelas Organizações Globo.