Título: Vem aí o Disque-Dilma
Autor: Pariz, Tiago
Fonte: Correio Braziliense, 10/08/2010, Política, p. 2/3
eleições 2010
Campanha da petista começa a testar serviço de telemarketing para divulgar as ações da ex-ministra da Casa Civil
Um dia a moça da operadora do celular; no outro, a do cartão de crédito; e, durante as eleições, Dilma Rousseff. A campanha petista testa a utilização de mensagens de telemarketing para aproximar a presidenciável dos lares brasileiros. O Disque-Dilma já está em fase de testes. O resultado das primeiras ações da equipe de telemarketing foi elogiado por petistas que atuam na campanha, mas o preço do serviço preocupa um pouco. A cada telefonema feito para um eleitor, o cof rinho da campanha fica de R$ 0,12 a R$ 0,18 mais magro, segundo o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR). A gente faz sorteio e liga. Vale a pena, todo contato em uma eleição judicializada como essa tem valor. Mas é um método muito caro. É preciso calcular melhor, receber as receitas para ver se é possível, se é viável ligar para todos os eleitores, explica Vargas.
Na primeira prestação parcial de despesas de campanha, o comitê financeiro da candidata registrou q ue as primeiras incursões na área de publicidade por telemarketing custaram R$ 120 mil. A equipe de Dilma informa que nessa primeira etapa as mensagens não serão utilizadas para pedir, diretamente, o voto do eleitor. O objetivo das mensagens, alegam aliados, seria convidar moradores de bairros ou cidades próximas aos locais em que a candidata participa de eventos públicos a comparecerem ao ato pró-Dilma. Para levar gente para a rua, a central de telemarketing usará banco de dados de eleitores c adastrados pelo comitê de campanha e do PT.
Mas a cereja do bolo da estratégia do Disque-Dilma é a voz da candidata. Os marqueteiros ainda analisam a viabilidade de a ex-ministra gravar mensagens específicas convidando o eleitorado para os eventos de campanha. Em casa ou no celular, o sorteado atenderia o telefone e ouviria a presidenciável do outro lado da linha. Os petistas apostam no sucesso da proximidade com o eleitor. Mas o telemarketing personalizado esbarra na agenda apertada da petista. Segundo Vargas, a possibilidade de Dilma gravar mensagens será avaliada pelo momento da campanha.
Outro cuidado que os coordenadores de campanha têm, ao iniciar o telemarketing político, é não deixar o eleitor saturado. Os responsáveis pela criação do sistema de mensagens de Dilma não poderão usar o mesmo banco de dados da internet, para não bombardear um só cidadão com dezenas de mídias. Quem já integra ou recebe materiais das redes sociais não deve ser alvo dos telefonema s. O PT não quer duplicar a mobilização sobre um mesmo eleitor, para não gerar efeito contrário, de rejeição aos chatos virtuais.
Militância O PT também planeja criar uma outra central de telemarketing. Mas em vez de mirar os eleitores de Dilma, a ideia é montar estrutura para resolver problemas da militância em relação ao uso da internet. O suporte via telefone ajudaria candidatos, assessores e militantes do PT a utilizarem todos os recursos de redes sociais, como o Fac ebook, Twitter e Orkut. Para Vargas, a internet modificou a características das eleições e para levar pessoas aos comícios antes de tudo é preciso encontrar os eleitores no universo virtual. De acordo com o secretário de Comunicação do partido, o preço da central é alto e não poderia ser pago totalmente com recursos da campanha presidencial. Ao contrário do que dizem, a tecnologia não barateou a eleição, encareceu. Antes, com R$ 10 mil se fazia um comício e todo mundo participava. Agora, não, afirma.
15 de agosto Data-limite para o eleitor que deseja votar em trânsito procurar o Tribunal Regional Eleitoral do DF
Sabatinas na televisão
A candidata do PT, Dilma Rousseff, passou por um verdadeiro corredor polonês ontem no telejornal mais popular do país, o Jornal Nacional, da TV Globo. Sabatinada por 12 minutos e 23 segundos, ela não teve chance de transformar a entrevista em um monólogo de números positivos do governo Lula. Terminou nervosa e suando, ao ponto de sair da bancada com o rosto brilhando, mas não deixou pergunta sem resposta. Mais tarde, no Jornal das Dez, restrito aos assinantes do canal a cabo Globonews, a candidata, calma e mais solta, discorreu de maneira firme sobre seu programa de governo, onde anunciou a abertura do capital da Infraero e se mostrou insatisfeita com o ritmo das obras nos aeroportos.
Dilma aproveitou as perguntas dos jornalistas da Globonews para fazer o contraponto entre o governo Lula e o de Fernando Henrique Cardoso. O Brasil já tem experiência suficiente para saber que sem marco regulatório privatiza e piora. Basta ver o exemplo de ferrovias e estradas, disse Dilma ao Jornal das Dez, quando defendeu critérios técnicos para preencher cargos públicos, ainda que sejam de indicação partidária.
A única pergunta da qual ela se desviou foi em relação ao Código Florestal em análise no Congresso, mas deixou transparecer que tem ressalvas ao texto, que dificulta o cumprimento das metas de redução de emissão de gases. Não concordo com qualquer procedimento que nos impeça de cumprir as metas, disse Dilma, mais calma que no Jornal Nac ional.
Um dos momentos em que a candidata demonstrou tensão no JN foi quando os jornalistas perguntaram sobre o temperamento dela, se era verdade que ela maltratava colaboradores do governo, como disse o presidente Lula na posse dos novos ministros. Dilma insinuou que Lula não teria usado a palavra maltratar e foi interrompida. Ao fim, apelou para o espírito maternal: Governar é como se a gente fosse mãe: você tem que cobrar resultados.
Dilma saiu pela tangente quando pergu ntada sobre as alianças do PT com Jader Barbalho, Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor. O PT acertou quando percebeu que para governar tinha que ter a capacidade de fazer uma ampla aliança, respondeu. Pela manhã, Dilma participou de gravações do programa eleitoral do partido no Complexo Esportivo da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
ELA ACHA QUE ESTÁ ELEITA, DIZ PLÍNIO Plínio de Arruda Sampaio, o candidato do PSol ao Planalto do Planalto, disse qu e a candidata do PT, Dilma Rousseff, acha que já ganhou as eleições, por isso recusa convites para eventos, como ocorreu ontem para o encontro com empreendedores, promovido pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em São Paulo. O cancelamento da presença da ex-ministra levou os organizadores a convidarem Plínio de última hora. Ela acha que está eleita, ou, então, tem certa dificuldade de enfrentar esse debate direto, disse. Vocês viram como ela estava ner vosa no debate da TV Bandeirantes, completou Plínio, em referência ao programa transmitido na noite da última quinta-feira.