Título: Planos de investimento em projeto de infraestrutur
Autor: Lima, Aline
Fonte: Valor Econômico, 30/03/2011, Finanças, p. C20
De São Paulo Os financiamentos a projetos de infraestrutura começam a recobrar o ritmo após a crise mundial. Como há um intervalo de até três anos entre a concepção dos investimentos e o primeiro desembolso, os efeitos do enxugamento de liquidez foram sentidos pelo segmento em 2010. Mas a necessidade de recursos para minimizar os gargalos à produção e o cronograma já apertado de obras para a Copa do Mundo, em 2014, e Olimpíada, em 2016, estão acelerando a retomada dos planos de investimento, o que deve elevar os desembolsos neste ano e em 2012. Ao menos 41 contratos de concessões foram assinados em 2010 e aguardam liberação de crédito de R$ 12,9 bilhões, segundo levantamento da Anbima, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais. Sergio Heumann, presidente do subcomitê de financiamento de projetos da Anbima, ressalta que esse volume tende a ser maior, pois muitos projetos que não estão vinculados a concessões públicas podem sair ao longo do ano. Heumann, que é da Rio Bravo Infraestrutura, cita como exemplo a construção de um alcoolduto, um dos projetos no qual está trabalhando, no momento, e que deve sair este ano com valor superior a R$ 5 bilhões.
Em 2010, foram financiados 42 projetos de infraestrutura que somaram R$ 19,2 bilhões - R$ 13,5 bilhões via emissão de dívida e R$ 5,7 bilhões com capital próprio do acionista. Para ter ideia de como o desempenho pode se mostrar superior às estimativas feitas com base em concessões, em 2009 haviam sido assinadas 15 concessões no total de R$ 14,4 bilhões.
No entanto, o volume de investimentos de R$ 19,2 bilhões em 2010 representou uma queda de 67% em relação aos R$ 57,5 bilhões apurados em 2009. Além do impacto da crise financeira no ano de 2010, Heumann enumera alguns fatores que inflaram o desempenho do mercado de "project finance" em 2009. "Tivemos o financiamento das mega-hidrelétricas do Rio Madeira [Jirau e Santo Antonio] e de diversas concessões rodoviárias de grande porte em decorrência do programa de licitações das principais rodovias de São Paulo em 2008", explica.
Entre os maiores projetos previstos para este ano estão o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, concessão com investimento estimado em R$ 4,2 bilhões, e a construção da linha 8 do metrô, em São Paulo, avaliada em R$ 1,4 bilhão. A lista conta ainda com as reformas dos estádios da Fonte Nova, em Salvador, investimento estimado em R$ 715 milhões, e do Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte, de R$ 697 milhões.
Em 2010, um dos destaques foi o projeto de construção dos navios de perfuração Norbe VIII e IX da Odebrecht, no total de R$ 2,6 bilhões. A estrutura de "project finance" deverá ser replicada para financiar os navios-sonda ODN I e ODN II, que começam a operar em 2012. Para a concessão da Rota das Bandeiras, um conjunto de estradas no interior de São Paulo, a Odebrecht conseguiu captar R$ 1,1 bilhão com uma emissão de debêntures, de um financiamento total de R$ 2 bilhões.
Porém, cerca de 70% dos financiamentos a projetos de infraestrutura são feitos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), média que se manteve inalterada na última década. "O orçamento do BNDES é grande e as condições dos empréstimos, como custo, carência e prazo, são imbatíveis", explica Heumann.