Título: Valor do investimento da Foxconn no Brasil surpreende analistas
Autor: Leo, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2011, Brasil, p. A3

De São Paulo O investimento de US$ 12 bilhões no Brasil para os próximos seis anos surpreendeu analistas consultados pelo Valor. "É muito dinheiro. Não sei onde eles vão aplicar tudo isso", disse uma fonte que não quis se identificar.

Para outro especialista, o valor é muito alto se comparado a projetos, como a fabricação de processadores. "Uma fábrica que usa as tecnologias mais modernas de produção, custa cerca de US$ 3 bilhões", diz. O analista lembra que em fevereiro a Intel, maior fabricante de chips do mundo, anunciou investimento de US$ 5 bilhões até 2013 para construir uma nova fábrica nos Estados Unidos. "E isso engloba todo o processo desde o minério até o chip pronto, não só a montagem de equipamentos", completa.

O montante prometido ao governo brasileiro pela Foxconn também se aproxima do investimento divulgado pela Telefónica há três semanas. Em encontro com a presidente Dilma, o presidente do grupo, César Alierta, anunciou que a companhia planeja aplicar no país R$ 24,3 bilhões (US$ 15 bilhões) entre 2011 e 2014. Na conta estão incluídas a compra de novas licenças, o lançamento de produtos e a ampliação das redes de telefonia fixa e móvel. Entre os destaques está a meta de atingir um milhão de assinantes do serviço de internet por fibra óptica até 2015.

A manufatura terceirizada de produtos de tecnologia é um mercado de altos investimentos e baixo retorno. Para fabricar um notebook vendido no varejo brasileiro por R$ 1,2 mil, uma empresa recebe R$ 4 da companhia que fez a encomenda, segundo especialistas. Para fechar as contas, as empresas precisam ter alto volume de produção. Algumas até investem na oferta de serviços como logística para impulsionar os ganhos.

Segundo fontes consultadas pelo Valor, companhias como a Foxconn têm visto as operações crescerem em ritmo mais acelerado no Brasil do que no resto do mundo. Com a demanda interna aquecida e a possibilidade de exportar para países da América Latina as companhias têm recebido cada vez mais pedidos dos fabricantes.

Um exemplo disso é a Apple. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que a companhia americana vai usar as instalações da Foxconn para produzir tablets a partir de novembro. Os rumores sobre a fabricação local já circulavam no mercado há algumas semanas. A expectativa é de que a produção seja feita na fábrica da Foxconn em Jundiaí. Procurada, a Apple disse que não comenta rumores.

Porém, há sinais de que a companhia se movimenta neste sentido. Segundo documento disponível na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), em março, a Apple alterou para um galpão em Jundiaí o endereço de uma filial registrada no local onde funciona uma distribuidora de Santo André.

No Brasil desde 2005, a Foxconn conta com quatro fábricas instaladas no interior de São Paulo e uma em Manaus. Os 4,3 mil funcionários da companhia são responsáveis pela fabricação de equipamentos como computadores, celulares, câmeras digitais, placas-mãe e cartuchos de tinta para impressoras. Entre os clientes da companhia estão empresas como Sony, Dell e Hewlett-Packard (HP).

Procurada, a assessoria de imprensa da companhia informou que não tinha mais detalhes sobre os investimentos anunciados.