Título: Kassab vai a Brasília para assinar ata de fundação do PSD na Câmara
Autor: Taquari, Fernando
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2011, Política, p. A6
De São Paulo
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deixa de lado hoje a agenda de compromissos administrativos do município para coordenar os trabalhos de criação do PSD. Nesta quarta-feira, ocorre na Câmara dos Deputados, em Brasília, a assinatura da ata de fundação do partido. Trata-se do primeiro evento político com caráter nacional da nova sigla. Por isso o encontro deve contar com a presença de parlamentares que estão de malas prontas para o PSD, além de consolidar o trabalho de articulação de Kassab para atrair novos filiados.
Desde que começou a percorrer o país em busca de adesões, Kassab passou por Bahia, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Nestes Estados, obteve o apoio dos deputados Geraldo Thadeu (PPS-MG) e Walter Tosta (PMN-MG) e dos vice-governadores Guilherme Afif Domingos (SP) e Otto Alencar (BA). Já Paraná, Tocantins, Acre e Amazonas entraram no roteiro do prefeito no último final de semana, quando conseguiu a adesão do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), dos senadores Sérgio Petecão (PMN-AC) e Kátia Abreu (TO) e do governador amazonense, Omar Aziz.
Kassab ressaltou ontem que o PSD ainda conta com coordenadores em outros dez Estados. Esse é o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, onde a principal a liderança será o ex-deputado Indio da Costa. No Rio Grande do Norte, o novo partido estará sob o comando do vice-governador, Robson Faria. O prefeito explicou que após o evento de hoje os novos filiados já poderão iniciar o processo de coleta de 500 mil assinaturas para cumprir a determinação eleitoral. Questionado sobre quem será o presidente do PSD, Kassab afirmou que isso não está em discussão neste momento.
"Tenho uma enorme responsabilidade até o mês de junho ou julho de dirigir a constituição deste partido. Após isso, vou encaminhar a questão da futura direção", disse o prefeito depois de participar da abertura da 10ª Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços, no Pavilhão de Exposições Anhembi. Durante o evento, repetiu que trabalha com três nomes para sua sucessão: o vice-governador Guilherme Afif Domingos, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, e o ex-secretário estadual Francisco Vidal Luna.
Em seguida, demonstrou entusiasmo com a hipótese do presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Henrique Meirelles, ser candidato no município. "Tenho muito respeito por Henrique Meirelles. Não descartaria apoiá-lo, mas seria uma falta de respeito falar que o apoiaria sem conversar com ele antes. Mas é um grande nome", afirmou.
Apesar do otimismo com a reunião de fundação, o PSD pode enfrentar problemas logo na largada. Ontem, o PPS anunciou que vai ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que diz que a saída de um filiado para criar uma nova legenda partidária não é motivo para a perda do mandato. Se aceita, a ação tem potencial para inviabilizar a migração de parlamentares para o novo partido.
Segundo o PPS, o dispositivo que permite ao parlamentar trocar de legenda sem perder o cargo, quando houver criação de nova sigla, ofende o princípio da fidelidade partidária, já que o STF determinou que o cargo eletivo pertence ao partido pela qual o mandatário foi eleito. "Trata-se de uma contradição insolúvel", afirmou o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP).