Título: Distribuidora do BB trabalha para ganhar o mundo
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Fonte: Valor Econômico, 23/05/2011, Especial Fundos de Investimentos, p. F2
De São Paulo
Fortalecer o processo de internacionalização e focar esforços em produtos mais sofisticados, para atender o mercado doméstico de alta renda, são os objetivos do projeto de expansão do Banco do Brasil na área de gestão de fundos de investimentos. Nos últimos 25 anos, completados em maio, a subsidiária do BB se especializou na distribuição de fundos de curto prazo, renda fixa, renda variável, multimercados e estruturados, atendendo a todo tipo de cliente. Hoje, a instituição exibe resultados expressivos: cerca de R$ 400 bilhões de ativos, R$ 100 bilhões a mais que o segundo colocado no ranking nacional, e um market share de 22% do total da indústria.
"A meta é ter negócios na Ásia, Oriente Médio e América Latina e assumir a liderança no mercado de distribuição de fundos de investimentos para o mercado de alta renda", diz Carlos Massaru Takahashi, CEO do BB Distribuidora de Títulos de Valores Mobiliários (BB DTVM). "Temos mais de R$ 20 bilhões de fundo no private bank, embora esse valor, comparado ao portfólio total de R$ 400 bilhões, seja muito pouco", afirma.
O BB DTVM é uma subsidiária integral do BB, responsável pela gestão de fundos de investimentos. É uma instituição autônoma em termos de governança de gestão, com conselho de administração, direção e conselho fiscal próprios. Tem mais de 30 profissionais na área de pesquisa e análise. "A melhora da qualidade de gestão dos ativos, adicionando mais confiança e credibilidade, e a grande capacidade de distribuição do banco em todo o país, através da rede de agências, foram nossos diferenciais", destaca o executivo. Em apenas oito anos de atividade, atingiu a marca de R$ 50 bilhões de ativos, alcançando a liderança de fundos de investimentos no Brasil, posição mantida até hoje.
"Estamos em uma nova fase de expansão, com um projeto de distribuição internacional de fundos. Abrimos frentes na Ásia, Oriente Médio e, principalmente, em países da América Latina, como Chile, Peru e Colômbia", conta Takahashi. A ideia é atuar nesses países contando com distribuidores locais, além da rede de agências e dos canais de relacionamento normais do BB.
No Chile, por exemplo, o BB DTMV fez uma parceria com a Principal, empresa associada à BrasilPrevi, e já captou US$ 60 milhões junto ao segmento de alta renda. Na Colômbia, os investidores poderão aplicar recursos em fundos de investimentos do Brasil por meio da Interbolsa Sociedad Administradora de Inversiones, dona da maior corretora do país vizinho. No Japão, a atuação da distribuidora e corretora brasileira proporcionou a captação de US$ 100 milhões.
De acordo com o executivo, o BB DTVM segue o processo de internacionalização do próprio BB, que, recentemente, adquiriu o Banco Patagônio, da Argentina, e fez uma operação de aquisição nos Estados Unidos. "Pretendemos continuar esse forte processo de alinhamento com o banco, expandindo o movimento de captação de recursos globalmente", afirma.
O BB DTVM quer ainda avançar em outros segmentos de negócios no mercado doméstico, com o lançamento de produtos mais sofisticados. O principal alvo é o private bank - segundo pesquisa da consultoria PriceWater-houseCoopers, existem hoje 200 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão disponíveis para investir. "Lançamos um fundo imobiliário, o Cidade Jardim Continental Tower, em parceria com o Banco Votorantim, além de lançar fundos de capital protegido referenciado em commodities agrícolas e uma cesta de commodities, incluindo produtos agrícolas, ouro, óleo e gás", relata o executivo.
Além disso, a corretora pretende, ainda este ano, adicionar ao seu portfólio a oferta de produtos sustentáveis, aderindo aos princípios de investimentos responsáveis. "A meta é assumir, nos próximos dois, a liderança no segmento de investidores de alta renda, oferecendo produtos inovadores, ultrapassando Itaú e Bradesco", comenta Takahashi.
Em março de 2011, a indústria de fundos de investimentos tinha um patrimônio de R$ 1,79 trilhão, sendo R$ 1,64 trilhão em fundos e R$ 153,6 bilhões em carteiras administradas. Considerando os primeiros meses de 2011, a indústria registrou evolução de 5,52%, enquanto em 12 meses atingiu uma variação positiva de 17,71%.
Neste cenário, o BB DTVM permaneceu como líder no ranking nacional de administração de terceiros, com patrimônio líquido de R$ 393,9 bilhões. No ano, a asset ampliou sua participação em cerca de R$ 33,7 bilhões. Em 12 meses, o BB DTVM se destacou, com acréscimos de R$ 63,8 bilhões em patrimônio líquido e evolução de 19,3%, superior à variação da indústria nacional. (G.C.)