Título: Brasileiro gasta 51% mais no exterior
Autor: Moreira, Assis ; Camarotto, Murillo
Fonte: Valor Econômico, 13/06/2011, Empresas/Serviços, p. B4

De Genebra

Os gastos de turistas brasileiros no exterior foram as que cresceram mais rapidamente no mundo em 2010, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT). A alta foi de 51,8% em 2010, aumentando de US$ 10,8 bilhões em 2009, para US$ 16,4 bilhões no ano passado, segundo dados do Banco Central do Brasil.

O Brasil multiplicou por quase três vezes as despesas com turismo no exterior em cinco anos. Com isso, o país pulou da 29ª para a 18ª posição no ranking de gastos no turismo internacional, superando de longe o México, Indonésia, África do Sul, Malásia e outros emergentes. O déficit da balança de turismo passa dos US$ 10 bilhões.

Nas ruas de Paris e Londres, o número de brasileiros com sacolas de grifes é cada vez maior. No metrô, português é ouvido com frequência. E pelos preços praticados hoje na Europa, os brasileiros devem continuar batendo recorde de viagens e de gastos.Com a queda do euro e do dólar, viagens para Europa e Estados Unidos são mais atrativas - até em comparação a praias do Nordeste. A Grécia e a Espanha são no momento as destinações mais fortes na Europa. A economia grega está em plena crise e os turistas se beneficiam de abatimentos entre 30% a 50%.

"Nossas ofertas para a Europa estão entre 5% e 15% mais baratas em média do que no ano passado, por causa da fraqueza do euro", diz um agente de viagem em Genebra. Uma semana nas Ilhas Canárias, com voo a partir de Genebra, custará menos de US$ 700. No Chipre, Ilhas de Kos (Grécia) e Bodrum (Turquia), as ofertas variam de US$ 450 a US$ 650 por semana.

Um voo Paris-Ibiza (bela praia espanhola) em agosto pela companhia de baixo-custo EasyJet pode custar não mais de ? 40, todas as taxas incluídas, se comprado agora. Entre Madri e Roma, a passagem custa ? 28 em alguns horários de agosto, só ida. Com esse dinheiro, não dá para se viajar de ônibus de Fortaleza a Teresina.

Apesar da desaceleração econômica global, a Organização Mundial de Turismo (OMT) mostra-se otimista e projeta aumento de 5% no turismo internacional este ano. Uma das esperanças é a China, país que se tornou o terceiro grande gastador internacional.

Os chineses estão seguindo os japoneses e querem cada vez mais se casar nas montanhas suíças. Os hotéis suíços levantam as mãos para o céu em agradecimento, já que os turistas europeus evitam o país por causa da valorização do franco, que ganhou 15,7% em relação ao euro no ano passado e mais 2% este ano, numa situação familiar à brasileira.

As despesas dos turistas chineses no exterior alcançaram US$ 55 bilhões em 2010, só atrás dos US$ 78 bilhões da Alemanha e dos US$ 75 bilhões dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a China passou a Espanha e agora é a terceira principal destinação de turistas no mundo, só atrás da França e dos EUA. E fica em quarto em receita captada de turistas, com US$ 48,5 bilhões, superada apenas por Itália, França e EUA.

Em 2010, as receitas do turismo internacional são estimadas em US$ 919 bilhões - em 2009 somaram US$ 851 bilhões. Em valor real, a alta foi de 5%.

Em janeiro e fevereiro, os primeiros resultados são melhores do que previstos na Europa e na América do Sul. (AM)