Título: Apesar de juro mais alto, mercado eleva projeção para inflação em 2012
Autor: Villaverde, João
Fonte: Valor Econômico, 14/06/2011, Brasil, p. A3

De Brasília

Mesmo com a elevação da Selic, promovida pelo Banco Central (BC) na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), para 12,25% ao ano, e a sinalização de que o processo de alta seguirá nos encontros seguintes, o mercado não acredita em convergência da inflação no próximo ano, objetivo principal do BC.

Os economistas que respondem ao Boletim Focus voltaram a aumentar a previsão para o IPCA de 2012. A mediana passou de 5,1%, na semana passada, para 5,13% no relatório divulgado ontem. Há um mês, a expectativa era de inflação de 5%.

Para este ano, refletindo um quadro melhor do que o esperado para a inflação dos próximos três meses, a projeção caiu de 6,22% para 6,19%. A mediana das projeções aponta IPCA de 0,08% em junho e de 0,18% em julho.

Isso, no entanto, não será suficiente para a convergência da inflação em 2012 e não permitirá uma interrupção do processo de aperto monetário - promovido pelo BC desde o começo do ano e que já elevou em 1,5 ponto percentual a taxa de juro. Os analistas esperam mais uma alta da Selic em julho, para 12,5% ao ano, permanecendo nesse patamar até o fim do próximo ano. Mas há opiniões divergentes.

Para os economistas do Itaú Unibanco, o BC poderia encerrar o ciclo. "A sinalização emitida pelo Copom indica que aumentou consideravelmente a probabilidade de uma nova alta de juros de 0,25% na próxima reunião. No entanto, acreditamos que o cenário econômico ainda possa levar o Copom a reavaliar a sua postura e interromper a trajetória de elevação da taxa Selic, mantendo-a em 12,25% ao ano até o final de 2012", diz o economista-chefe Ilan Goldfajn e o economista Caio Megale.

O Bradesco acredita em elevação, mas admite a possibilidade de duas altas. "Continuamos acreditando em um cenário que comporta mais duas altas de juros, no máximo. Como cenário básico, continuamos acreditando em apenas mais uma alta adicional de 25 pontos base, no encontro dos dias 19 e 20 de julho", diz o diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Octavio de Barros.

Um destaque negativo desse Focus foi a redução da previsão de crescimento econômico para este ano, de 4%, onde estava havia 10 semanas, para 3,96%. Para 2012, a mediana das expectativas permaneceu estável em 4,1%.