Título: Fundos 'money market' fogem e BCE dá liquidez a bancos
Autor: Moreira, Assis
Fonte: Valor Econômico, 08/08/2011, Finanças, p. C8
De Genebra
O Banco Central Europeu (BCE) aumentará a liquidez na zona do euro a partir de hoje, com empréstimos ilimitados, de seis meses, aos bancos, para que superem as dificuldades de "funding". A medida será importante, principalmente para as instituições da periferia da eurozona, que continuam a depender fortemente dos empréstimos do BCE.
No rastro dos testes de estresse, as preocupações persistem sobre "funding" para os bancos europeus, ainda mais que os principais fundos de "money market" dos Estados Unidos eliminaram sua exposição a Grécia, Portugal e Irlanda e cortaram significativamente os recursos para Itália e Portugal, em meio aos temores sobre a crise da dívida soberana.
Esses fundos são considerados cruciais fornecedores de recursos de curto prazo para bancos europeus, mas diminuíram sua exposição, inclusive para mercados com posição menos desconfortável como a França.
Um problema é que a estrutura da zona do euro encoraja o sistema financeiro a ser fortemente dependente de funding de curto prazo, como mostra um estudo do Peterson Institute for International Economics, de Washington.
Os testes de estresse, concluídos no mês passado, revelaram necessidade de refinanciamento de US$ 5,4 trilhões de débitos nos próximos dois anos, equivalentes a 45% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia (UE).
Como nota Gillian Tett, no "Financial Times", até recentemente era fácil para os bancos rolar esses débitos porque havia a noção implícita de que ninguém iria fazer default na zona euro. Com a Grécia, essa certeza virou pó.
No caso dos fundos de "money market" americanos, sua exposição total junto aos bancos europeus atingia US$ 675 bilhões, ou 43,5% do total de ativos sob gestão, ao fim de junho. A retirada dos papéis de curto prazo dos bancos europeus foi acelerada nas últimas semanas.
Numa ilustração de como o mercado tem dificuldades de identificar qual país ou instituição tem menos risco no atual cenário da economia global, o Bank of New York Mellon anunciou que a partir desta semana vai cobrir a taxa dos clientes que mantêm grandes depósitos em seus cofres.
O banco disse ter recebido enormes depósitos em dólar nas últimas semanas, com investidores e empresas saindo dos mercados financeiros em meio à crise na Europa e ao debate sobre a dívida americana. (AM)