Título: Tensão atrapalha reunião UE-Mercosul
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2006, Especial, p. A4

A União Européia (UE) avisou ao Mercosul que está pronta a considerar "arranjos práticos para superar as dificuldades provocadas pela integração insuficiente do bloco", em vista de um acordo de acordo de livre comércio birregional.

No entanto, mesmo a discussão política do Mercosul com a UE está complicada devido ao estado calamitoso do bloco. A tal ponto que ontem à noite não estava ainda confirmado se a reunião UE-Mercosul neste sábado será entre presidentes ou só a nível ministerial. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, hesitava participar da reunião e o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, já anunciou que não iria. Para completar, era incerta a presença do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, sócio em processo de adesão.

A reunião UE-Mercosul, após a Cúpula UE-América Latina, é essencialmente política. Para a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, ela deve destacar "o alto valor estratégico de uma associação em si mesmo, não importa o que acontecer na Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC)".

Apesar da desorientação provocada na UE pelas crises na região, as condições para se avançar na negociação comercial tomam contornos mais precisos. Em documento enviado à Argentina, na presidência rotativa do Mercosul, a UE atenua a exigência de livre circulação para bens e serviços europeus nos quatro países do bloco.

É que, apesar de o Mercosul ser uma união aduaneira, um produto importado ainda não consegue passar do Brasil para a Argentina, por exemplo, sem ter de pagar novas taxas. Bruxelas considera isso inaceitável. Argumenta que um produto brasileiro estará livre de circular em qualquer um dos 25 países membros da UE.

Agora, em meio à ameaça de desagregação do Mercosul, Bruxelas diz aceitar um prazo de transição "razoável" para que a livre circulação possa enfim ocorrer entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Bruxelas quer que a cobertura de cortes tarifários no acordo alcance 90% do comércio birregional - o Mercosul oferece 77%. Oferece concessão em produtos agrícolas, desde que tenha compensação nas áreas industrial e de serviços. (AM)