Título: Consumo de equipamentos cresce 34% no 1 º bimestre
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 11/04/2006, Brasil, p. A3

O consumo aparente dos chamados bens de capital "sem rodas" - máquinas e equipamentos em geral, exceto máquinas agrícolas e equipamentos de transporte - cresceu no Brasil nos dois primeiros meses deste ano 34%. O resultado foi impulsionado pelas importações, que aumentaram 42,1% no mesmo período, sempre em comparação com o primeiro bimestre de 2005. Os números foram obtidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a partir do cruzamento de dados com o IBGE e Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento. Nelson Perez/Valor Barros de Castro, do BNDES: "Quem falou em 'stop and go' disse bobagem" .

O desempenho desse subgrupo dos bens de capital foi o tema central da edição de abril da "Sinopse do Investimento", boletim trimestral no qual o banco busca analisar os rumos da economia a partir do apetite das empresas para investir. "As empresas estão valendo-se do câmbio apreciado para se modernizar de forma vigorosa", disse o diretor de planejamento do banco, Antonio Barros de Castro.

Os números elaborados pelo BNDES revelam que mesmo no período mais crítico do ano passado, o terceiro trimestre, quando a economia do país retrocedeu 0,9% em relação ao trimestre anterior, o consumo aparente de máquinas e equipamentos "sem rodas" cresceu 11,8%, enquanto o de bens de capital como um todo cresceu apenas 2,5%. Ao longo de todo o ano passado, o consumo total de máquinas e equipamentos aumentou apenas 2,6%, mas o dos "sem rodas" subiu 7%, empurrado por um crescimento de 20,8% nas importações, uma vez que a produção local aumentou apenas 5,3%.

No começo do ano (janeiro e fevereiro) a produção interna reagiu fortemente, crescendo 19,4%, embora sem acompanhar o crescimento das importações. Entre os bens de capital como um todo, a produção cresceu 8,6%, e as importações, 37,1%. O diretor do BNDES destacou os investimentos em bens de capital para infra-estrutura, que cresceram 107,5% (consumo aparente) no período.

Os investimentos em máquinas e equipamentos, notadamente nos "sem rodas", levaram Castro, respaldado pelos técnicos e pela direção do banco como um todo, a elaborar a tese de que o impulso expansionista que a economia brasileira experimentou em 2004, quando cresceu 4,9%, permaneceu em 2005 e só não se repetiu -o PIB brasileiro cresceu somente 2,3% no ano passado- por razões específicas, basicamente pelo aperto monetário. Para ele, o mau desempenho do terceiro trimestre de 2005 não passou de "um tropeço".

"Quem falou em 'stop and go' disse bobagem", afirmou Castro, prevendo que em 2006 o PIB brasileiro estará correndo em velocidade semelhante à de 2004, embora por especificidades estatísticas o número final do IBGE possa ficar em torno de 4%. Segundo o economista, a indústria brasileira vive um ciclo de modernização semelhante ao que se deu no período de sobrevalorização cambial da década de 1990 (de 1995 a 1998), com a vantagem de que agora o consumo interno é acompanhado de exportações significativas.

Em 2005 as exportações de bens de capital como um todo cresceram 16,9%, e as dos "sem rodas" aumentaram 20,3%, quase o mesmo que as importações. No primeiro bimestre, as vendas externas de máquinas e equipamentos cresceram apenas 3,6%, mas a dos "sem rodas" aumentaram 12,3%.