Título: Produtividade da indústria cai 1,4%, aponta CNI
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 11/04/2006, Brasil, p. A4
A produtividade da indústria da transformação caiu 1,4% no ano passado, conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade dividiu a produção física da indústria pelo número de trabalhadores. Se a referência for o número de horas trabalhadas, a queda na produtividade chega a 1,7%.
Levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) apurou alta de 2,3% na produtividade da indústria da transformação em 2005. O percentual representa desaceleração quando comparado à alta de 6,1% registrada em 2004. Mas não chega a uma queda.
A diferença nos dois resultados é explicada pelos dados utilizados. O cálculo da CNI é feito com base na produção física medida pelo IBGE, mas os dados de pessoal ocupado e horas trabalhadas são da própria entidade. Já o estudo do Iedi utiliza dados do IBGE para todos os indicadores. Enquanto o IBGE registrou alta de 0,8% nas horas trabalhadas em 2005, a CNI apurou um forte aumento de 4,6%.
Renato da Fonseca, gerente-executivo da unidade de pesquisa da CNI, explica que o IBGE alterou sua metodologia de cálculo de emprego em 2001. Ele utilizou os indicadores industriais da CNI, porque seu objetivo era fazer uma comparação mais longa.
De acordo com o levantamento da CNI, a produtividade da indústria da transformação cresceu, em média, 0,7% nos últimos cinco anos. O resultado é inferior aos 5,9% dos últimos cinco anos da década de 90, quando houve um forte aumento da produtividade. Fonseca acredita que o fraco crescimento da produtividade entre 2000 e 2005 está corroendo os ganhos da década de 90.
O desempenho da produtividade nos últimos cinco anos só não é pior que entre 1986 e 1990, quando a produtividade da indústria da transformação caiu 0,7% ao ano em média. Entre 1981 e 1985, a produtividade da indústria cresceu 3,6% ao ano. Os anos 80 ficaram conhecidos como "década perdida". A produção industrial brasileira caiu 0,6% em média entre 1981 e 1985 e subiu apenas 0,2% ao ano entre 1986 e 1990.
"Acendeu uma luz amarela. A produção industrial cresceu nos últimos anos, mas a produtividade das companhias já está em um nível tão baixo quanto um período muito ruim para a economia brasileira", diz Fonseca.
O economista credita o fraco resultado da produtividade nos últimos cinco anos à falta de investimentos. Ele diz que a instabilidade política aliada a uma política econômica restritiva, com juros elevados, desestimularam o investimento.
Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Iedi, reconhece que vários setores tiveram queda de produtividade em 2005. Ele cita metalurgia, têxtil e meios de transporte. O economista ressalta, no entanto, que é mais provável que a produtividade da indústria da transformação tenha apenas sofrido uma desaceleração.
"Vários setores aumentaram a produtividade pelo lado positivo, que é o investimento em tecnologia, e pelo lado negativo, que é a queda do número de empregados", explica. Os setores químico e máquinas a aparelhos de comunicação aumentaram a produtividade sem reduzir as contratações. Já os setores de calçado, madeira, borracha e minerais não-metálicos só incrementaram a produtividade por conta das demissões.