Título: Renan recusa apelo do PT contra relatório da CPI
Autor: Paulo de Tarso Lyra e Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 11/04/2006, Política, p. A8

A CPI dos Correios está encerrada. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu não acatar o recurso protocolado pelo Partido dos Trabalhadores contra a votação do relatório final da comissão, considerando-o "prejudicado". O documento foi aprovado na quarta-feira sob fortes críticas da legenda do presidente Lula, que pleiteava alterações no texto a fim de desconstruir a tese da existência do mensalão elaborada pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR).

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), entregaria até a noite de ontem um relatório sobre a aprovação do texto aos presidentes da Câmara e Senado, e o encaminharia hoje ao Ministério Público e Polícia Federal. "Há um relatório aprovado, uma decisão. E a CPI termina hoje, o que torna fato consumado o relatório do CPI", disse o presidente do Senado.

No recurso do PT, havia acusações de desrespeito ao regimento interno do Senado por parte de Delcídio. Ele não permitiu a votação de emendas ao relatório. As regras, esclarece o senador, haviam sido definidas antes da votação e não poderiam ter sido alteradas de acordo com a vontade de uma bancada. Segundo Renan, há precedentes de votações em CPIs sem a análise de destaques.

Além dessa notícia, o PT recebeu uma outra: foi atendida uma emenda do partido e incluído no relatório o pedido de indiciamento de Daniel Dantas, do Opportunity, e da executiva Carla Cicco, ambos da antiga direção da Brasil Telecom. Foram acusados de tráfico de influência, sonegação fiscal e corrupção ativa.

Enquanto Renan decretava o fim da CPI dos Correios, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), anunciava que vai tentar dirigir as escolhas dos novos integrantes do órgão, em substituição aos sete conselheiros que renunciaram aos cargos na semana passada.

Izar vai pedir aos líderes partidários que indiquem parlamentares "não radicais, experientes e com perfil jurídico" para recompor o órgão, desmoronado com a renúncia coletiva.

A preocupação de Izar é com a desmoralização completa do Conselho. Com a saída dos integrantes, o PT ganhará mais duas vagas no colegiado e chegará a três postos. Se tiverem perfis semelhantes ao da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), afastada depois de dançar no plenário para comemorar absolvição de petista acusado no mensalão, os mensaleiros ganharão mais aliados. Ângela votou pela absolvição de todos os envolvidos em corrupção. "Quero pessoas que cheguem com ânimo novo, para trabalhar", disse Izar. Até ontem, apenas Orlando Fantazzini (P-SOL-SP) havia entregue formalmente a carta de renúncia.