Título: Aumentam chances de Alencar ser confirmado na chapa
Autor: Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 07/06/2006, Política, p. A6

As dificuldades de uma aliança formal com o PMDB, expressas claramente pelas lideranças governistas do partido em reunião na noite de segunda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aumentam as chances de José Alencar ser confirmado como vice de Lula para as eleições de outubro. Na mesma segunda, Lula conversou com Alencar e com o presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB), Mangabeira Unger. De acordo com o ministro da coordenação política, Tarso Genro, a hipótese de uma coligação formal do PT com o PRB, novo partido de Alencar, não está descartada.

"O que nós achamos é que o Partido Republicano deve deixar claro que, se o presidente Lula apresentar candidatura, estará junto com o presidente", disse Tarso.

Lula, porém, insiste em ter o PMDB na sua chapa, mas os planos regionais da legenda impedem essa coligação formal. "O PMDB quer aumentar o palanque nos estados", lembrou Genro. O ministro acredita que a reunião dos líderes pemedebistas aliados com Lula, na noite de segunda, reforça a tese de que a legenda está disposta a apoiar a reeleição do presidente, independente de uma coligação formal.

Compreensivo com o PMDB, o ministro disse que "eles estão falando em 21 estados, 21 seções do PMDB que já estariam fechadas com a candidatura Lula, caso ela seja homologada", acrescentou o ministro da coordenação política.

O vice-presidente da República, José Alencar, não descartou ontem a possibilidade de participar mais uma vez da chapa do PT como candidato a vice-presidente. Em tom de brincadeira, Alencar afirmou que "hoje" não é candidato a vice nem ao Senado, mas enfatizou que estava pronunciando o verbo no presente do indicativo. "Eu não sou candidato a nada. É verdade que eu pronuncio o verbo no presente do indicativo porque 'tomorrow is another day ' (amanhã é outro dia)", disse após o evento "Business Future of the Americas", evento promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham/RJ).

Alencar explicou que deixou o ministério da Defesa "porque não queria ingressar numa situação de não poder ser candidato. "Vice-presidência é fruto de um convite e de uma aceitação, se me perguntarem se eu vou aceitar o convite digo que não posso raciocinar por hipótese fazendo conjecturas", disse ele.

O vice-presidente afirmou ainda que, em Minas Gerais, dizem que ele passa por um "dilema muito difícil". "Se eu perguntar para minha mulher, meus filhos, meus irmãos, eles querem que eu volte para casa. Mas me disseram em Minas Gerais que o velho governador Benedito Valadares (figura folclórica da política mineira) dizia que a política só tem uma porta, a de entrada. Então não sei se ouço minha família ou se acredito no Benedito", disse Alencar.

Ele preferiu não responder, quando questionado por jornalistas, se ficou chateado com o fato de o presidente Lula ter oferecido a vaga de vice ao PMDB antes de tê-lo convidado. "Você não sabe de nada", resumiu em tom irônico. Em sua avaliação, o PMDB preferiu não lançar um nome para a vice-presidência por causa das regras da verticalização. "O ideal para eles (do PMDB) é não se vincular nacionalmente, o que lhes daria condições de realizar alianças regionais e eleger um grande número de governadores", disse Alencar. Em sua avaliação, a imagem de Lula não sofreu arranhões com os últimos escândalos em Brasília. "O Lula tem os votos diante de tudo isso que aconteceu no Brasil. Não houve um arranhão na sua vida pessoal e de ordem pública".