Título: Solução para a AL é acelerar crescimento, diz Toledo
Autor: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 15/05/2006, Brasil, p. A3

A Cúpula União Européia-América Latina foi palco de nova demonstração explícita de desavenças da América Sul, enquanto europeus indagavam sobre alternativas ao chavismo. O presidente do Peru, Alejandro Toledo, que vem sendo atacado por Hugo Chávez, discutiu longamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a crise do gás e suas conseqüências na desintegração do projeto de Comunidade Sul-Americana de Nações e fez uma sugestão: acelerar o crescimento econômico. "A América do Sul tem a integração ameaçada, é uma evidência", disse ao Valor. "Há uma impaciência compreensível, porque o crescimento econômico não ajudou no ajuste social. As pessoas estão perdendo a paciência. Precisamos acelerar o processo de crescer, para que mude a situação. Se não fizermos isso, a pobreza vai conspirar contra nós. Vai ser um terreno fértil para o surgimento do populismo rasteiro, e é mais perigoso quando esse populismo rasteiro tem muito dinheiro", acrescentou, numa alusão ao presidente Hugo Chávez.

"O que estamos fazendo não é suficiente", disse Toledo, que deixa a presidência dentro de três meses. "A pobreza é o tema. Senão, as pessoas perdem fé na democracia e aumenta o populismo rasteiro, que é uma festa hoje mas amanhã é um funeral", completou.

O presidente mexicano Vicente Fox, antigo executivo da Coca-Cola, disse que nacionalização e retórica populista são populares junto ao público interno "mas são uma falsa saída para a pobreza". O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, praticamente conclamou certos governos latino-americanos a agirem "com responsabilidade".

O que ficou demonstrado em Viena, em todo caso, é que Chávez não tem como ser visto pelas lideranças européias como um líder da América do Sul. Primeiro, tem petróleo, mas é só. E segundo, só propõe assistencialismo injetado por petrodólares. Em vez de congregar, Chávez desintegra. "O erro fundamental no Mercosul é de aceitar Chávez, que destruiu a Comunidade Andina das Nações e pode destruir o próprio Mercosul", afirmou o professor Alfredo Valladão diretor da cátedra sobre o Mercosul do Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Visivelmente irritado com a desintegração de seu projeto sul-americano, Lula mandou um claro recado a Morales e a Chavez numa resposta a jornalistas na frente do hotel: "As pessoas precisam aprender a conviver democraticamente na diversidade. Ninguém precisa ser igual a ninguém, mas é preciso compreender que só com tranqüilidade, paz, é que vão nos dar a chance de deixar de ser um continente subdesenvolvido."