Título: Exportação cresce 15% e importação, 23%
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2006, Brasil, p. A3

O desempenho da balança comercial de agosto deve "sacramentar" a mudança de nível das exportações brasileiras, alcançando uma média diária superior a US$ 500 milhões. As vendas mensais ficarão, portanto, acima de US$ 10 bilhões. Essa é a perspectiva do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, que considera fácil cumprir a meta de US$ 132 bilhões para as exportações em 2006. "Não vamos retroceder e perder um espaço que já conquistamos", garante Meziat.

Como o governo também prevê um ritmo maior do crescimento das importações, essa mudança de nível também ocorrerá com as compras, que devem ficar acima dos US$ 7 bilhões por mês.

A média diária das exportações nos meses de maio, junho e julho foi de US$ 553,4 milhões, valor 7,7% maior que o do período janeiro-julho. De janeiro a julho, em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento é de 15% . A meta de R$ 132 bilhões implica alta de 11,5% em relação ao ano passado. No lado das importações, os últimos três meses tiveram média diária de US$ 353,26 milhões, 3,8% maior que a dos primeiros sete meses deste ano. E de janeiro a julho, as importações ficaram 23% maiores que em igual período de 2005.

No mês passado, a balança comercial registrou recordes mensais para exportações (US$ 13,62 bilhões), importações (US$ 7,98 bilhões) e também para o saldo (US$ 5,63 bilhões). Meziat avalia que, com o encerramento da greve dos auditores da Receita, que prejudicou o movimento do comércio exterior em maio e junho, os números de julho talvez não tivessem essa magnitude.

O otimismo de Meziat está baseado no que o governo espera para o segundo semestre. A sazonalidade das exportações indica um ritmo mais forte, principalmente pela maior venda de commodities. Portanto, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mantém a meta de exportar US$ 132 bilhões em 2006 e, nesse cenário, o saldo deve ficar perto dos US$ 40 bilhões. No ano passado, as exportações foram de US$ 118,3 bilhões e o superávit foi de US$ 44,71 bilhões.

As compras de bens de consumo no período janeiro-julho cresceram 39,1% , mas esse fato não preocupa Meziat. Ele justifica sua calma afirmando que esse segmento representa apenas 12,6% (US$ 6,23 bilhões) das importações. Nos sete primeiros meses de 2005, essa participação foi de 11,2%. Com relação aos bens de capital, as importações neste ano foram de US$ 10,5 bilhões ou 21,3% do total. As compras de matérias-primas e bens intermediários somaram US$ 24,43 bilhões de janeiro a julho (49,5% do total).

Para o secretário, alguns setores exportadores têm custos atrelados ao dólar e, portanto, ficam prejudicados com a atual taxa de câmbio. Como exemplo, Meziat citou a indústria do suco de laranja.

No primeiro semestre, a Secex verificou que 13.786 empresas realizaram exportações. Esse número é inferior ao registrado no mesmo período de 2005: 14.942. Mas Meziat diz que é pontual essa concentração das exportações em grandes empresas. Apesar do saldo verificado no primeiro semestre, ele disse que não há uma tendência.

A Secex tem um levantamento preliminar que indica que são pequenas empresas que estão deixando de exportar. Elas integram o grupo que vende até US$ 100 mil por ano no exterior. Portanto, são empresas que ainda não estão consolidadas no mercado internacional. "A tendência continua sendo de desconcentração e trabalhamos para isso. O importante é que, com esse câmbio, também temos empresas iniciando exportações."

Entre janeiro e julho também houve aumento da quantidade exportada em produtos cujas cotações internacionais cresceram muito. No minério de ferro, o volume embarcado foi 11,1% maior e ocorreu alta de 17,9% no preço. Os embarques de soja em grão ficaram estáveis, mas a cotação do produto foi 26,5% maior. As vendas de petróleo aumentaram 20% na quantidade e 40% no preço.