Título: Serra critica orçamento para 2005
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 09/12/2004, Política, p. A-11

O prefeito eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou ontem o orçamento para 2005 votado pela Câmara Municipal, previsto em R$ 15,2 bilhões. A reclamação é centrada no índice de remanejamento: o PSDB defende a manutenção dos 15% , enquanto o PT e aliados votaram por 5%. O atrito influencia a votação do projeto de lei que regulamenta as parcerias público privadas (PPPs) no Senado e alguns tucanos pretendem criar dificuldades no plenário. "Espero que a Câmara facilite o governo no município, que seja favorável e compreensiva e tenha espírito público. Temos nós amarrados e já estamos com problemas demais para ter de superar mais um ", disse Serra. A votação definitiva será no dia 16. O projeto encaminhado pelo Executivo foi modificado na comissão de Finanças e Orçamento, liderada por vereadores do "centrão", criticado por tucanos e alguns petistas de fisiologismo com o governo. Do "centrão", o vereador Jooji Hato (PMDB) desmente que o voto foi em grupo: "Não se vota pressionado. O que não podemos é inviabilizar o governo." Dos 55 vereadores, 17 votaram contra o projeto. Desses, oito são petistas -seis não reeleitos. O índice não é a única controvérsia. Odilon Guedes (PT) critica as mudanças no projeto feitas pela comissão. "Sou a favor de 5%. Já tinha encaminhado isso durante a gestão de Marta, mas foi derrubado. O que nunca vi foi um projeto ser mexido tanto". Algumas áreas tiveram a verba reduzida, como a de cultura, de segurança e a de limpeza. A manutenção da Guarda Civil, por exemplo, foi reduzida de R$ 5 milhões para R$ 176 mil. O dinheiro foi para "despesas anteriores" que ficará com R$ 338 milhões para pagar empenhos não liquidados ou cancelados. Segundo tucanos e petistas, é uma forma de driblar a LRF. Serra criticou a votação ontem, depois de apresentar mais nomes para seu governo. Rogério Belda, atual diretor de planejamento do Metrô e vice-presidente da Associação Nacional de Transporte, vai cuidar do grupo responsável por articular as empresas de transporte. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ficará com o engenheiro de trânsito Roberto Scaringella, e a SPtrans, será presidida pelo ex-diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Ceagesp-SP, Ulrich Hoffmann. Serra anunciou a extinção da Secretaria de Comunicação, que terá o status de assessoria, comandada pelo jornalista Sérgio Kobayashi, coordenador da infra-estrutura da campanha.