Título: PDT comanda 20 das 27 superintendências
Autor: Cunto,Raphael Di
Fonte: Valor Econômico, 21/11/2011, Política, p. A9

As denúncias que envolvem o PDT e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) fizeram o senador Pedro Taques (PDT-MT) pedir, durante o depoimento do ministro Carlos Lupi (PDT) na quinta-feira, que o partido entregasse os cargos no governo federal porque a legenda não tem mais a confiança da opinião pública para continuar na Pasta.

Sem entrar no mérito das denúncias, o senador defendeu que o PDT, politicamente, não teria mais condições de exercer o ministério.

A renúncia do PDT ao ministéio, porém, não se resume aos gabinetes em Brasília, mas compromete a estrutura partidária em todo o país: 20 das 27 superintendências regionais de trabalho e emprego são chefiadas por filiados ao PDT, segundo levantamento do Valor com base nas listas de filiação dos partidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As regionais, que até 2008 eram conhecidas como delegacias do trabalho, são responsáveis pela execução e fiscalização das políticas públicas do ministério nos Estados, como a habilitação dos trabalhadores para receberem o seguro-desemprego. Uma minoria desses órgãos, porém, é comandada por funcionários de carreira da área.

A maior parte dos superintendentes é de ex-dirigentes do PDT nos Estados. Outros foram nomeados para o posto depois de perderem a eleição: é o caso de Dermilson das Chagas, no Amazonas, e do ex-deputado estadual Neivo Beraldin, do Paraná. Há o caso, ainda, de pessoas próximas de pedetistas, mas que não tem filiação, como o chefe da regional de Minas Gerais, Alysson Alves, que foi assessor do ex-vereador de Belo Horizonte Osman Miranda (PDT) e ficou no cargo por indicação do parlamentar, quando este saiu para assumir mandato na Câmara Municipal.

Segundo o diretor-adjunto da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) e funcionário do MTE, Rogério Antônio Expedito, logo quando assumiu, em 2007, Lupi priorizou as indicações partidárias. "Depois, alguns saíram para concorrer às eleições ou por outros motivos e o partido não quis indicar outra pessoa, então eles deixaram seus assessores", disse. "Eles saíram, mas continuam mandando".

As nomeações também desagradam o Sindicato Nacional dos Auditores do Trabalho (Sinait). A presidente da entidade, Rosângela, classifica como "esdrúxula" a contratação de políticos. " Para nós é muito difícil conviver com pessoas que não têm nenhuma afinidade com o ministério do trabalho e são alheios ao nosso serviço", reclama, dizendo que a escolha de pedetistas se estende por todo o organograma do ministério.

Lupi diz, por meio da assessoria do MTE, que os cargos são de livre provimento e dependem de sua escolha pessoal, respeitando o percentual máximo de funcionários sem concurso público.

A preferência por pedetistas também tem levado a reclamações de dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que teve ex-cutistas no controle do ministério no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O último dos ministros do Trabalho petistas, o atual prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, foi inclusive presidente da central, de onde saiu direto para a cadeira de ministro em 2005.

Embora não questionem publicamente a escolha de filiados ao PDT para os postos de chefia do ministério, com o discurso de que não cabe a central criticar as nomeações do governo, cutistas afirmam que há uma "clara preferência" da Pasta pela Força Sindical, que tem como presidente o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP).

O secretário de finanças da CUT, Wagner Freitas, reclama da distribuição de cartas sindicais para entidades "que não têm apoio na categoria". "Os sindicatos deles [Força] não têm representatividade. Eles têm 1,7 mil sindicatos filiados e nós temos mais de 2,1 mil. Só que a CUT representa 38% dos trabalhadores sindicalizados, enquanto eles têm apenas 14%", diz Freitas, candidato favorito para presidir à CUT a partir de 2012.

Na opinião dele, o aumento no número de filiados à Força, que tinha 719 sindicatos em fevereiro de 2008, em comparação com a CUT, que tinha 1691 na mesma época, foi impulsionado pela liberação dessas cartas sindicais para "entidades que não representam os trabalhadores".

O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, rebate, irritado, as acusações de favorecimento e diz que as filiações ocorreram devido ao trabalho. "Os sindicatos perceberam que as outras cinco centrais cresceram muito e são capazes de se organizar, diferente deles, que vivem brigando internamente e são rachados desde a fundação", critica.

"Se eles acham que o ministro da [presidente] Dilma [Roussef, PT] está prejudicando a central deles, aconselho que chorem para a presidente deles", reclama, ao lembrar que a Força apoiou a a petista em 2010 contra o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).