Título: Renan recebe a oposição no Planalto
Autor: Raymundo Costa e César Felício
Fonte: Valor Econômico, 05/05/2006, Política, p. A5
O presidente interino da República, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), aproveitou a fugaz passagem pelo Planalto para abrir as portas da sede do Executivo para a oposição. Logo cedo, depois da transmissão do cargo, o pemedebista ligou para o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Eu pensei que fosse um trote, receber uma chamada do Planalto", brincou ACM, assim que viu a chamada em seu celular. "Ele me fez o convite para ir até o Planalto, mas eu resolvi não ir. Perdi o hábito".
Ainda na Base Aérea, Renan declarou que faria o máximo para que a interinidade fosse tranqüila. "No que depender de mim, as canetas manterão suas tintas intactas, só vou usá-las havendo absoluta necessidade", assegurou. Lula entrou no clima de festa de Renan. "Agora, vocês vão ter um presidente que gosta de dar entrevistas", afirmou Lula.
O presidente ainda repetiu a ameaça, em tom de brincadeira, que fizera na semana passada durante lançamento do livro do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). "Vou dar uma medida provisória bem legal para o Renan assinar", disse Lula.
A primeira agenda oficial de Renan como presidente interino da República foi uma audiência com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em uma prática pouco comum no Planalto, a visita começou com as portas abertas para a imprensa, tanto para imagem quanto para repórteres de texto. Em seguida, participou da cerimônia de divulgação do relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre trabalho infantil.
Ao fim da cerimônia, nova entrevista, desta vez sobre as confusões no PMDB. "As coisas acontecem por etapas. O primeiro passo, que vai acontecer no dia 13 de maio, é descobrir se, de fato, o PMDB terá candidato próprio ou se prefere ficar livre para fazer alianças nos Estados".
Renan tentou desfazer o que considera um mal-entendido, o fato de não ter aceito o convite para viajar com Lula e, assim, ter impedido que a ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo, assumisse a Presidência. Sobre a possibilidade de o Brasil ser comandado por uma mulher na próxima interinidade da Presidência - o que deve acontecer semana que vem - Renan foi vago. "É claro que todos nós queremos prestar essa homenagem à ministra Ellen e às mulheres brasileiras".
Antes do almoço, nova visita de oposicionistas - o líder do PSDB, senadores Arthur Virgílio (AM) e o líder do PFL, José Agripino (RN) - foram ao Planalto. Virgílio não resistiu e, em pleno gabinete presidencial, criticou a eficiência do governo Lula. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chegou ao gabinete para almoçar com Renan e, diante de pefelistas e tucanos, brincou: "Presidente, entrei na sala errada"? Renan completou. "Está aqui um governo de coalizão, com todos os principais partidos. Tudo o que Lula sonha e nunca conseguiu".