Título: Exportação do campo bate recordes, mas ritmo cairá
Autor: Fernando Lopes
Fonte: Valor Econômico, 09/12/2004, Agronegócios, p. B-10
As exportações brasileiras do setor de agronegócios alcançaram US$ 2,983 bilhões em novembro, 26,1% mais que em igual mês de 2003 (US$ 2,365 bilhões), conforme levantamento do Ministério da Agricultura divulgado ontem. As importações somaram US$ 434,2 milhões, um aumento de 8,8% na mesma comparação, e o superávit mensal chegou a US$ 2,549 bilhões, com um salto de 29,7% sobre novembro de 2003. Segundo o ministério, tanto exportações quanto saldo foram recordes para o mês. Com os resultados, nos 11 primeiros meses do ano as exportações somaram US$ 36,038 bilhões, 29,2% mais que de janeiro a novembro do ano passado e também um recorde para o intervalo. O superávit, na comparação, cresceu 34,3%, para US$ 31,578 bilhões, também a maior marca para o período. A expectativa do ministério é fechar 2004 com exportações de US$ 38 bilhões a US$ 39 bilhões. Mas, se desde 2003 a balança do agronegócio transformou-se em uma coleção de recordes mensais sucessivos, as perspectivas para 2005 são menos otimistas, principalmente em virtude da queda das cotações da soja no mercado internacional e da valorização do real em relação ao dólar americano. "É verdade que há preços em queda, de volta a patamares históricos, e que o câmbio não é tão favorável. Mas a economia mundial deve continuar crescendo, a demanda asiática tende a seguir aquecida e, no Brasil, teremos safra recorde de grãos. Portanto, as exportações continuarão crescendo, mas em ritmo menor", disse Eliezer Lopes, coordenador-geral de apoio à comercialização do ministério. Em novembro, liderou a pauta brasileira de exportações do agronegócio o complexo carnes (bovina, suína e de frango), cujos embarques renderam US$ 483 milhões, 23,4% mais que no mesmo mês de 2003. O complexo soja (grão, farelo e óleo) vem em seguida, com US$ 407,2 milhões, mas com queda de 2,3% em igual comparação. Açúcar e álcool renderam divisas de US$ 327,8 milhões no mês, com alta de 75,8%. Dos principais itens considerados pelo ministério, a variação do setor sucroalcooleiro só perde para fumo e tabaco, cujos embarques renderam 117,2 milhões, 148,7% mais. Nos onze primeiros meses de 2004, o complexo soja lidera o ranking dos produtos do agronegócio mais exportados, com US$ 9,706 bilhões - um crescimento de 27,3% sobre igual intervalo de 2003. As carnes aparecem em segundo, com US$ 5,365 bilhões e alta de 50,9%, e madeira e suas obras ficam em terceiro, com US$ 3,709 bilhões e incremento de 45,5%. Ainda assim, destacou Lopes, um dos maiores destaques observado de janeiro a novembro foi o álcool, cujos embarques renderam US$ 467 milhões, 232% mais que nos onze primeiros meses de 2003. Com compras 2000% maiores (US$ 86,5 milhões), a Índia foi o principal destino do produto brasileiro. Para os EUA, que absorveram 17% das exportações nacionais, o aumento foi de 555%, e para a Coréia do Sul, que respondeu por 11% do total, de 487%. Suécia e Japão completam o rol dos maiores mercados do álcool até novembro. No geral, incluindo todas os produtos do agronegócios, a União Européia foi o principal cliente brasileiro entre dezembro de 2003 e novembro de 2004, com participação de 34,7% nas exportações totais de 38,787 bilhões. A fatia da Ásia foi de 19,6%. Por país, os EUA lideram. As exportações brasileiras para o mercado brasileiro somaram US$ 5,724 bilhões no período, com salto de 21,8%.